Kilmainham Gaol - a prisão

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No feriado de segunda fomos visitar a Kilmainham Gaol e demos com a cara na porta porque todos os tours do dia estavam cheios.

Somos brasileiros e não desistimos nunca (tô falando isso em todo post, né? hahaha), então voltamos hoje de manhã. Chegamos às 11h20 e o próximo tour disponível era para às 12h30. Bom que chegamos cedo dessa vez, porque quando saímos de lá, umas 14h, quase tudo já estava lotado para o resto do dia.

Se bem que hoje era um dia especial, porque toda primeira quarta-feira do mês alguns eventos são grátis aqui em Dublin. Aproveitar quando dá, né não?

kilmainham gaol em dublin

A visita

O tour dura mais ou menos 1h e meia e é todo guiado. Pra quem não manja muito de inglês pode ser meio difícil, porque o guia tem um puta sotaque irlandês, e cita vários nomes e datas. Eu adorei, pois pude praticar um pouco do listening e aprendi muita, muita coisa legal. Pensando agora, até me arrependo um pouco de não ter gravado as coisas que ele falou, porque foram bem interessantes mesmo.

A prisão

O tour começa com as pessoas sendo convidadas a ver uma apresentação de slides bem rápida sobre a história da Irlanda e da prisão. Na verdade, eles tentam dar apenas um panorama geral do contexto histórico de quando ela foi construída e de como estava a Irlanda (Dublin principalmente) no auge político daqui, em 1916 e depois na guerra civil irlandesa. O guia cita vários nomes já velhos conhecidos de quem andou pela cidade - Connolly, Parnell (finalmente aprendi a pronúncia correta! par-NELL, e não PÁR-nell, como os brasileiros falam), entre outros.

A gente anda por alguns corredores e já começa a sentir o peso do lugar. Num primeiro momento não visitamos as celas, mas o guia explicou sobre como estas funcionavam: inicialmente projetadas para uma pessoa, elas logo foram ficando superlotadas, com até oito pessoas numa única cela. Há muitas janelas nos corredores para a entrada de luz solar e para ventilar a prisão - eles acreditavam que o vento preveniria doenças, mas se esqueceram que a Irlanda é úmida e que os presos dormiam em palha úmida no chão, então as doenças se espalhavam do mesmo jeito!




Além disso, na época da Grande Fome na Irlanda, muita gente cometia pequenos delitos, como roubar comida, com o objetivo de serem presos, justamente porque na prisão teriam abrigo e comida. Fiquei bem chocada com esse fato.

A maior cela

A maior cela da penitenciária está reformada, chão de madeira e paredes pintadas de branco, e pendurada numa delas, uma "estátua" de gesso de uma pessoa importante que ali passou dois invernos: Charles Stewart Parnell. Ele foi membro do Partido Parlamentar Irlandês, era considerado um gentleman e tal, e por isso tinha regalias: saía da cela pra visitar sua "meretriz", saia para presenciar enterro de gente da família... mas sempre voltava pra prisão. Os prisioneiros que seriam executados passavam suas últimas noites ali também.



O pátio

Depois somos levados a um salão principal, um pátio, vamos dizer assim. Ali é possível ver muitos andares e muitas celas (mais de 90, se não me engano). Por ser uma das maiores prisões desativadas da Europa, muitos filmes foram gravados ali. O guia citou três, mas só consegui lembrar de um: "Michael Collins". Se pesquisar no google, dá pra descobrir os outros também.



O pátio tem um domo que hoje iluminou bem o local porque tava um dia de muito sol. O sistema de distribuição de comida era super eficiente - segundo o guia, em 10 minutos tava todo mundo "servido". Além disso, por causa da projeção do local, dois guardar seriam suficiente pra observar as mais de 90 celas. Interessante, né?

A cela

Pra ser sincera, nem senti aquele peso todo ao entrar na cela em si. Elas são estreitas e bem altas, com uma janela no topo. Sinceramente, achei o clima dos corredores bem mais pesado, sem tirar o "mérito" das celas, claro. Meio inacreditável pensar que até 8 pessoas ficavam 23 horas do dia naquele espaço apertado.




Lá fora
Os prisioneiros tinham direito à uma ou duas horas de exercícios ao ar livre por dia. Eles deveriam ficar de cabeça baixa e as duas mãos pra trás, e ficavam basicamente circulando pela pequena área do lado de fora do prédio principal da prisão.




Num outro complexo externo aconteciam as execuções, marcadas com duas cruzes pretas no chão. Elas aconteciam por enforcamento e fuzilamento também. Algumas execuções aconteciam em outros pontos da cidade e tinham até 300 pessoas de expectadores. O guia citou vários líderes da revolução e como/quando foram executados, mas infelizmente não consegui memorizar os nomes e todas as histórias. Lembro de uma - não sei se o Connolly, que estava super doente e ferido de batalha e o trouxeram do hospital somente para executá-lo. Isso chocou as pessoas depois pois... por quê matar um homem que já estava muito doente e já ia morrer de qualquer jeito? Após essa execução, a opinião pública "caiu matando" e ninguém mais foi executado ali.





Conclusão

Após a visita, é possível conhecer o museu - que contém alguns mapas, documentos, textos informativos - e a loja do museu, que possui vários livros interessantes.Visitar a Kilmainham Gaol foi uma experiência inesquecível pra mim - não só pelo valor histórico do lugar, mas aprender sobre grandes líderes da revolução irlandesa, sobre o contexto político em que a Irlanda esteve envolvida por tanto tempo foi demais, mesmo.


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