Opiniões de um irlandês sobre o Brasil - parte II

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Ontem eu postei a primeira parte das impressões do R. sobre o Brasil. Hoje eu publico a segunda, que fala sobre transporte, segurança e paisagens. Resolvi adicionar também umas observações minhas ao final. E lembrando, primeiro o texto original em inglês e lá em baixo minha tradução beeeem livre - hahaha.

Transportation

Buses in Brazil are nothing like buses in Ireland – they have more in common with rollercoasters – that is when they’re not stranded in traffic.  While Bárbara had warned me about very long journey times, I was not prepared for the action-packed adventure of boarding a crowded bus in São Paulo.

The buses are old, driven very aggressively and the roads are hilly and bumpy.  The result of this combination?  They have virtually no suspension!  I nearly fell so many times while trying to reach a safe place to stand after boarding, because the buses bounce around and the driver’s swerve so quickly.  One day there was a particularly aggressive driver who was shouting at other road users and driving so dangerously I was amazed that we didn’t crash.  I think he was just having a very bad day.

Then of course, there’s the traffic.  Despite the inhuman efforts of the bus drivers, getting from A to B is not fast because there are so many vehicles on the road.  It’s incredible, and not in a good way.  I think matters are made worse by how dense the road network in São Paulo is – so many junctions and traffic lights.  Furthermore, buses don’t always take very direct routes, which is a problem every city faces – they have to serve as many people as possible.

Despite the negative tone of the above, transportation didn’t upset me – this is because I knew that I was visiting Brazil and that I didn’t have to struggle with this for my life.  Poor Bárbara on the other hand felt all those years of frustration come flooding back as soon as we arrived, and I can clearly see why.

Safety

In Europe (or Ireland at least), Brazil has a reputation for being dangerous, both for tourists and locals alike – particularly Rio.  I expected to get mugged or pick-pocketed by default, and planned precautions such as carrying little cash and some leaving bank cards at the places we stayed.

However while I was in Brazil, I didn’t feel very unsafe.  I did keep my guard a bit higher than I usually would in a European city, but I felt safe in most places.  There were a couple of places where guarded my pockets very carefully, such as a very busy street in Rio, but other than those few locations, I felt reasonably safe everywhere.

Thankfully, we had no encounters with muggers or pick-pockets.  I think the reputation is overblown – just keep your guard up, don’t do anything stupid and things will be fine.

Scenery and architecture

São Paulo really is a concrete jungle.  What struck me most about it was not its size, but rather the variety of buildings.  In residential areas, no two houses are alike.  There are apartment blocks of course which are consistent, but the landscape in the city looks something like a game of Tetris – all differently coloured and shaped blocks following the hillside.  I found this disorientating for several days, because it looked completely random in every direction.  Near Paulista it’s different, but still disorientating – the buildings look more like one another.  In Rio, the effect was not as noticeable.

Outside of the cities, I found the countryside very beautiful and quite green.  It always amazes me that people find the greenery in Ireland stunning, when I’ve seen similarly impressive countryside in many countries – now including Brazil.

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Transporte

Os ônibus no Brasil não são nada como os ônibus na Irlanda - eles tem mais coisas em comum com montanhas-russas - isso quando não estão presos no trânsito. Enquanto a Bárbara já tinha me avisado das viagens longas, eu não estava preparado para a aventura de embarcar num ônibus lotado em São Paulo.

Os ônibus são velhos, dirigidos com agressividade e as ruas são inclinadas e cheias de buracos. O resultado dessa combinação? Eles não tem suspensão nenhuma! Eu quase caí várias vezes tentando achar um lugar pra ficar depois de subir no ônibus porque eles pulam e os motoristas guiam muito rápido. Um dia houve um motorista particularmente agressivo que gritava com outros na rua e dirigia tão perigosamente que eu fiquei surpreso que não batemos. Acho que ele só estava tendo um dia ruim.

E depois, é claro, há o trânsito. Apesar dos esforços sobre-humanos dos motoristas de ônibus, ir do lugar A pro B não é rápido porque há muitos veículos nas ruas. É incrível, e não de uma maneira positiva. Eu acho que a situação piora por causa da densidade da rede de veículos em São Paulo - há muitos cruzamentos e semáforos. Além disso, ônibus nem sempre vão no caminho mais direto, o que é um problema que toda cidade enfrenta - eles tem que atender o maior número de pessoas possível.

Apesar do tom negativo acima, o transporte não me chateou - isso porque eu sabia que só estava visitando o Brasil e que eu não tinha que passar por isso no dia-a-dia. No entanto, coitada da Bárbara que sentiu todos os anos de frustração em São Paulo voltando assim que nós chegamos lá, e consigo ver claramente o porquê.

Motoristas de lotação em SP


Segurança

Na Europa (ou na Irlanda, pelo menos), o Brasil tem uma reputação de ser perigoso, tanto para turistas como para os locais - particularmente o Rio. Eu esperava naturalmente ser roubado ou furtado e tomei precauções como levar pouco dinheiro comigo e deixar cartões de banco na mala nos lugares onde ficamos.

No entanto, enquanto estive no Brasil não me senti muito inseguro. Eu mantive minha guarda mais alta do que geralmente faço em cidades europeias, mas me senti seguro na maioria dos lugares. Houve alguns lugares onde protegi os bolsos com mais cuidado, como numa rua bem movimentada no Rio, mas fora esses poucos lugares, me senti razoavelmente seguro em todos os locais.

Felizmente, não encontramos nenhum ladrão ou trombadinha. Acho que essa reputação é exagerada - apenas mantenha a guarda, não faça nada estúpido e tudo ficará bem.

Paisagens e arquitetura

São Paulo é mesmo uma selva de pedra. O que mais me impressionou não foi o tamanho, mas também a variedade de construções. Nas áreas residenciais, nenhuma casa é parecida. Há condomínios que são mais consistentes, claro, mas a paisagem da cidade parece um jogo de Tetris - tudo com cores e formas diferentes. Eu achei isso meio confuso por alguns dias porque parecia completamente aleatório em todas as direções. Perto da Paulista é diferente, mas ainda assim confuso - os prédios são mais parecidos uns com os outros. No Rio, o efeito não foi tão perceptível.

Fora das cidades, achei o interior muito bonito e bem verde. Sempre me surpreende quando as pessoas dizem que as paisagens verdes na Irlanda são lindas, quando já vi paisagens igualmente lindas no interior de muitos países - agora incluindo o Brasil.

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Quando fala de motoristas de ônibus agressivos, R. se refere aos motoristas de lotação - eu também confesso que fiquei bem assustada porque eles dirigem como se estivessem atrasados e como se todo o resto do trânsito não importasse. Eles dirigem sim de modo agressivo e maluco!

Sobre as paisagens urbanas, nunca achei que São Paulo parecia um Tetris, mas uma observação do R. me fez pensar: todas as casas tem portões e muitas vezes portões que cobrem toda a entrada. Não dá pra ver o que tem atrás disso. Já aqui na Irlanda muitas portas já dão pra rua, e se não, há jardins na frente das casas protegidos por uma pequena grade, quando muito.

Ele também comentou comigo da arte urbana em São Paulo, que se faz bem presente em todos os lugares da cidade. Aqui na Irlanda não rola muito de pichação nem de arte urbana - eu pelo menos não conheço!
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