A cidade das tribos

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A primeira vez que ouvi falar de Galway foi quando vi o Gerard Butler cantando "Galway girl" no filme "PS I love you". Já me apaixonei ali, né? (R., não fica bravo - o Gerard Butler tem sotaque chinfrim, o seu é de verdade!)

O nome da cidade vem do irlandês Gaillimh, mas é tudo meio incerto. Uma teoria sugere que Galway foi nomeada por causa de um rio de mesmo nome (hoje chamado Corrib), das palavras gall e amh, que significam "rio com pedras". Há uma lenda que diz que a cidade na verdade tem esse nome por causa da filha do rei Breasal, que morreu afogada nesse mesmo rio.

Galway fica do outro lado da ilha, na costa oeste, e é a segunda maior cidade da Irlanda. É conhecida como a "cidade das tribos", por causa das famílias de comerciantes que dominavam a região nos séculos 15 à 17. Embora as famílias fossem de origem inglesa ou galesa (no total eram 14, sendo que duas eram irlandesas mesmo), eles logo se adaptaram ao way of life gaélico da região e incorporaram costumes e modos locais rapidamente. Essas famílias foram responsáveis pelo desenvolvimento da área e eram envolvidos em diversos aspectos sociais, religiosos e administrativos de Galway, além de terem construído diversos prédios e casas. Dois desses prédios ainda existem, sendo que um deles, o Lynch's Castle, pertence hoje ao banco AIB:


Eu já tinha passado por Galway quando viajei de carro pela Irlanda mas não conheci nada da cidade na ocasião e prometi a mim mesma que voltaria logo.

A cidade é pequena, bem pequena, e dá tempo de visitar todos os pontos turísticos: começamos pelo Latin Quarter e o Spanish Arch, que nada mais é do que um pedacinho de uma das muralhas que cercava a cidade.



De lá, entramos no Museu de Galway que é de graça e tem muita coisa interessante. No térreo havia duas exposições: "Routes to the Past" e "Within the Walls" - ambas fazem um apanhado da história da cidade, dos antigos muros que a cercavam, figuras importantes e muito mais. Um fato interessante é pensar no sistema de leis do local no século 17 - o acusado de algum crime poderia sair ileso do tribunal se conseguisse 40 pessoas que pudessem jurar sua inocência. Fico pensando se eles conseguiam comprar juramentos ou algo do tipo.

Outro fato curioso é sobre as rotas de comércio de Galway com o mundo: eles trocavam peles, ferro, vinho, lã, sal, manteiga, salmão, entre outras coisas. Muita coisa vinha pra outros países da Europa, muitas pros EUA e América Central e até mesmo pr'um lugar que a gente conhece bem:




No segundo andar do museu há uma exposição de artefatos e cerâmica - sinceramente, nada de muito especial ou interessante. Fomos logo correndo pra sala que eu realmente queria ver: o cinema em Galway e o papel dos bailes na sociedade local.

O R. já havia comentado comigo das big bands nos anos 60 e da importância dos bailes, já que era assim que a galera se conhecia e paquerava. Centenas de bandas circulavam pela ilha tocando em festas, hotéis, praças e salões. No museu dá pra ver cartazes anunciando bailes e inclusive um deles anunciando um show de uma banda de moleques:



Já n final do corredor tem um mural lindo com pôsteres de vários filmes clássicos que ilustra a importância do cinema em Galway - há listas com os nomes dos cinemas da cidade, filmes que foram censurados, entre outras coisas.



Por fim, no último andar, pudemos aprender um pouco sobre as Grandes Guerras, a propaganda que convidava os homens a lutar, os irlandeses que foram pros campos de batalha, as mulheres que ficaram à espera dos mesmos e até mulheres que trabalhavam em fábricas de munição pra guerra em Cork e Galway. O museu já tava pra fechar então tivemos que andar meio rapidinho por ali.



Assim acaba a parte 1 do dia. Na verdade, fizemos passeios antes do museu e depois também - resolvi escrever os posts de maneira não-linear pois achei assim mais interessante.
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