O primeiro dia como fundraiser...

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... foi uma droga, uma droga.

Cheguei no escritório da Concern às 11h e terminamos o treinamento com um team leader - ele explicou como utilizar o aplicativo que eles usam pra cadastrar as informações das pessoas quando elas topam fazer doações. A gente "ganha" um celular (galaxy alguma-coisa) da empresa no dia pra poder usar esse aplicativo e o devolve no final do dia pro team leader.

Lá pelas 11h45 o local já tava cheio de outros fundraisers esperando pra saber em que time eles estariam no dia. Alguns vieram se apresentar pra gente, alguns não.

Dividiram os times. Fiquei num time com 3 caras: P., que é do Malawi e líder do time; D., irlandês que estava em seu último dia de trabalho e L., também irlandês há alguns meses na empresa.

Pegamos o ônibus com o pessoal de outro time que iria pra mesma região que a gente (Cabra, perto de onde eu morava antes). No caminho deu pra ver que o céu tava bem cinza e que logo começaria a chover. E pouco antes de descermos do ônibus, caiu O MAIOR PÉ D'ÁGUA DA HISTÓRIA. Nos abrigamos debaixo de uma árvore, mas ela não deu conta. Fiquei ensopada e muito frustrada - pegar toda essa chuva logo no meu primeiro dia de trabalho?!

Depois de uns 20 minutos debaixo da árvore, fomos pra rua. Os team leaders deram um discurso motivacional e disseram pra gente se aproveitar da chuva, que isso amoleceria o coração das pessoas nas casas. AHAM, SEI. Lá fomos nós.

Tipo assim, teria sido muito melhor se eu tivesse ficado algumas horas acompanhando as pessoas pra ver o negócio na prática, mas não: me jogaram aos leões e lá fui eu sozinha levar umas portas na cara e uns "nãos" bem grosseiros.

Até aí já tinha parado de chover, mas eu tava frustrada por estar ensopada, com cheiro de cachorro molhado, me sentindo despreparada e sozinha batendo nas portas das casas das pessoas.

Mais ou menos assim

Um tempo depois, veio P., o team leader, pra me acompanhar em algumas portas.

Aí ficamos sabendo que o chefe, R., viria pro campo nos ajudar. AHAM, AJUDAR.

Primeiro dia de trabalho: seu chefe tá vindo inspecionar, você tá ensopado, sendo rejeitado e com fome porque o intervalo ainda tá longe.

Mas eu sou brasileira e não desisto nunca!

O chefe veio dar umas dicas e depois foi observar o outro time. Logo deu o horário do intervalo e fomos prum mercadinho ali perto - eu já tinha levado meu lanche e frutinhas, então só comprei um chocolate porque tava precisando.

Sentamos no chão no melhor estilo almoço de pedreiro e comemos.

Eu tava morrendo de vontade de ir ao banheiro, mas no mercadinho não tinha banheiro e fiquei na vontade mesmo até às 8 da noite (até às 9 na verdade, que é quando cheguei em casa).

A segunda parte do trabalho foi igual: vários "nãos". Quando eu tava começando a secar, caiu outra chuvona que nos molhou tuuuudo de novo.

Sem contar no D., irlandês em seu último dia de trabalho que tava meio que sendo aqueles tios que ficam querendo encostar em você, sabe? Eu tava começando a estranhar, até essa conversa maaravilhosa surgir pra eu ter certeza:

- Você tem um lindo bronzeado. Já veio assim do Brasil?
- Ah não, fiquei mais bronzeada aqui, tava muito sol! Fui até pra praia.
- Ah, praia! E você tem fotos de você de biquíni?
- (oi?) Fotos? Claro que não! Quem faz isso?!
- *CARA DE MALÍCIA*

Gente, que medo. Depois disso procurei ficar o mais longe desse tio doido.

Aí no final do dia pegamos o ônibus para o centro da cidade. Eu tava cansada, apertada, ensopada, e arrasada.

O segundo dia foi um pouco melhor, mas quase nada...
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