1 ano como childminder - e aí?

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Quando vim pra Irlanda, sabia que teria trabalhar com coisas que não tinham absolutamente nada a ver com a minha área de atuação no Brasil. Estava disposta a encarar qualquer coisa, assim como muitos intercambistas que vem pra cá. Aquele espírito de "topo qualquer desafio" era o meu lema.

De todas as possibilidades aqui (cleaner, recepcionista, trabalhar em pub, garçonete, etc), a única da qual fugi foi ser babá. Eu já tinha dado aula pra criança no Brasil, nunca gostei de criança na vida e me dava arrepios pensar em exercer essa função aqui. Só que os meses foram passando e só saber falar inglês não era suficiente pras vagas de emprego para as quais eu aplicava. Me restou a última solução: ser childminder.

Bom, primeiramente devo dizer que não considerei ser au pair, ou seja, viver com a família. Eles pagam muito pouco (por volta de 100 euros por semana, quando não menos) e eu simplesmente não queria perder minha liberdade de ir e vir. Conheço muita gente que trabalhou de au pair aqui e sempre se sentiu sem graça na casa "dos outros". O fato é que pra muita gente que chega aqui sem saber falar inglês, ser au pair acaba sendo uma opção bacana pra imersão na cultura irlandesa e ter uma casa sem contas pra pagar. Conheço gente, inclusive, que mesmo ganhando esse pouco salário fez várias viagens pela Europa.

Aí parti pro childminder, que é a babá que não mora com a família. Assim que comecei a procurar surgiram algumas oportunidades de entrevista e logo eu estava empregada, mesmo sem experiência em cuidar de crianças.

Quando comecei a trabalhar pra família M., em agosto de 2013, eu nunca havia trocado uma fralda na vida (obrigada, youtube!), não sabia como lidar com crianças de 1 e 2 anos e estava bastante insegura. Os primeiros dias foram cansativos, mas aos poucos fui pegando a manha da rotina das meninas e quando menos percebi, já estava manjando de como cuidar delas e mantê-las ocupadas e felizes.

O bizarro dessa história toda é que eu amei, amei cuidar das meninas.

Depois de ser babá, passei a prestar mais atenção as crianças ao meu redor e não achá-las tão aterrorizantes - elas podem ser doces e extremamente interessantes! Não somente por causa disso, mas eu ainda prefiro ser babá a fazer qualquer outra coisa por aqui. Explico: trabalhar em loja, bar, restaurante ou hotel dá até um certo status na hierarquia do intercambista, mas não paga tão bem quanto; trabalhar o dia livre de interrupções e observação do chefe é libertador; ter a oportunidade de não precisar usar uniforme, maquiagem ou nenhum fru-fru pra trabalhar; enfim, são muitas vantagens frente a todos esses empregos que citei aqui.

Obviamente é possível que a experiência não seja tão positiva quanto a que eu tive, como, por exemplo, se você trabalha pra uma família que te trata mal, ou quando as crianças são pestinhas. No entanto, de forma geral, todas as childminders que eu conheço estão felizes em seus empregos.

Saudade da É. e da C.!

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