Trabalho voluntário em Dublin - parte II

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Comentei aqui que logo quando cheguei, acabei me candidatando a fazer trabalho voluntário, um negócio que jamais imaginei que pudesse fazer.

Já se passaram alguns meses e eu queria registrar o que aconteceu nesse tempo lá no coral.

A coordenadora me pediu pra participar mais e ir mais do que apenas uma vez por mês. Como não estou trabalhando, eu concordei e tenho ido mais ou menos uma vez a cada duas semanas. Além disso, agora vou um pouco mais cedo pra ajudar um membro do coral a chegar no local, já que ele é cego e tem um pouco de dificuldade pra andar também. 

A primeira vez que o ajudei foi muito tensa porque nunca caminhei com uma pessoa cega e cara, é muita responsabilidade.

A distância nem é muita, mas você tem que avisar a pessoa dos degraus, dos buracos, pedir licença pras pessoas na rua, esperar o sinal ficar verde bonitinho pra poder atravessar... Dá até calor. As outras vezes foram um pouco mais ok, mas não menos tensas, porque apesar dele estar acostumado comigo, eu fico preocupada com ele na rua.

Aí tem funcionado assim: eu caminho o K. até o local, entramos no elevador, o ajudo a entrar na sala e sentar e sento ao lado dele se tem cadeira vazia. Participo do coral e canto com eles. No intervalo, ajudo a servir o café e os lanchinhos e verifico se o K. tá precisando de alguma coisa. Cantamos por mais uma hora e no final ajudo a arrumar as cadeiras, fechar as janelas e deixar o local organizado. 

Há umas 3 semanas recebi uma ligação do North Dublin Volunteer Programme pra saber se eu tava frequentando o coral, se tava gostando, se tinha alguma sugestão de melhora e tudo mais. Achei isso bacana pois mostra que eles tem controle de quem se candidata pra fazer as coisas e se está tudo sob controle.

Nas últimas vezes que fui pro coral tinha novos voluntários participando - uma vez tinha um brasileiro e na outra uma menina que parecia gringa, mas nem olhou na minha cara e não deu abertura para conversarmos, então fiquei na minha.

Gosto muito de ir pro coral porque a hora passa rapidinho e me distraio soltando a voz. As pessoas lá são receptivas e alegres, cantam com a maior alegria e no final do dia, me sinto um pouco mais feliz por fazer parte disso.


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