Vida de professora (revisited)

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Já são mais de 50 dias desde quando saí de casa. Uns 3 meses que não dou aula e...

Já deu uma saudadinha. Mas só um pouquinho.

É que dar 8 horas de aula por dia, 6 vezes por semana, vira mais do que rotina, vira basicamente sua vida.

Não sinto falta de preparar aula - apesar de ainda ver uma cena de seriado e pensar "putz, seria perfeito pra uma aula disso" ou ouvir uma música e imaginar "nossa, daria pra trabalhar tal assunto". Não sinto falta de corrigir redações, aos montes. Não sinto falta de corrigir lição de casa. Também não sinto falta de ligar pra aluno que faltou, pra aluno que quer desistir do curso, pra pai de aluno-problema.

Não sinto falta de cobranças, de metas, de ter que executar outras tarefas a não ser dar aula. Não sinto falta de ter que lançar chamada no sistema, não sinto falta de reunião de pais.

Não sinto falta das crianças mimadas, não sinto falta dos adolescentes riquinhos que me tratavam mal, não sinto falta dos adultos folgados que colocavam a responsabilidade do aprendizado deles toda nas minhas costas.

Não sinto falta de acordar cedo pra dar aula, de dar aula até às 10 da noite, de dar aula aos sábados o dia todo.

Mas sinto falta daqueles alunos especiais - aqueles que faziam o meu dia melhor. Que tinham interesse nas aulas, que faziam sacrifícios (de dinheiro, tempo, entre outras coisas) pra estar lá. Sinto falta dos meus alunos da Microcamp, em sua maioria alunos muito queridos - tenho vários como amigos até hoje. Sinto falta das minhas turmas de sábado que começavam às 5 da tarde no sábado e acabavam às 8 da noite. Sinto falta dos meus alunos de sábado da Fisk - tão incríveis, divertidos e maduros. Sinto falta dos pré-adolescentes na Winners, tão educadinhos e fofos. Sinto falta das minhas turmas de terça e quinta à noite da Cultura - meus dias preferidos nos meus dois anos lá. Sinto falta dos passeios, das festinhas, dos meus aniversários... ah, meus aniversários! Nunca esqueço que em 2006, por exemplo, ganhei três festas e saí carregada de presentes.

Até cantar já cantei na escola

Ah, as simulações de job interview!

Sinto falta das festinhas de fim de semestre e fechamento de turma... sinto falta das atividades de restaurante, karaokê, filme. Sinto falta de receber cartãozinho no dia dos professores (que guardo com muito carinho numa caixa no meu armário em Sampa).

Halloween, festa de final de semestre, ou simplesmente um dia comum

Passeios, aniversários... <3

Mas também sinto falta dos meus colegas de trabalho, alguns que se tornaram muito mais que isso. Sinto falta dos cafés na Estalagem, sinto falta das conversas no intervalo, do lanchinho no break e dos almoços na padaria. Sinto falta das piadinhas na sala dos professores, das constantes misturas de inglês com português, da troca de ideia de atividades ou simplesmente um desabafo de como o dia tinha sido cansativo.

Festinhas, karaokês, almoços....

Ontem duas coisas distintas aconteceram, duas coisas que me deram muita vontade de voltar à rotina de professora: 1) a Tarsila me encorajou a fazer o CELTA e tentar dar aulas aqui na Irlanda e 2) meu irmão me mandou um artigo pelo Facebook sobre como o professor não-nativo é o melhor professor de línguas que me atiçou demais. O problema é que o CELTA (Certificate in Teaching English to Speakers of Other Languages) é caro, bem caro. E agora, José?

ps: Tá, tá bom... vendo essas fotos me deu uma puta saudade! :/
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