O que me chamou a atenção em Berlim?

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Eu já fiz quatro posts sobre a viagem de férias com minha família pra Berlim, mas eu senti que ainda faltava falar sobre as coisas que realmente fizeram meus olhos brilharem na cidade (além da comida, claro, que já mencionei no terceiro post). 

A primeira delas é: o número (assustador) de brasileiros.

Eu nunca vi tantos brasileiros fora do Brasil como em Berlim. Não tem Buenos Aires nem Dublin que bata esse recorde, sério! Tudo bem que em Dublin, você ouve português o tempo todo no centro (na rua, na Penneys, na Boots, no Tesco), mas em grande parte do tempo, é só lá. Se você vai pra uma região mais afastada, não ouve. Em atrações turísticas aqui, pouco ouvi também. Agora, Berlim me surpreendeu - não sei se porque a brasileirada foi pra lá pra passar Ano Novo, mas o fato é que ouvi português em todos os lugares: no metrô, nas atrações turísticas, no walking tour, no trem na ida, no aeroporto na volta... Até no campo de concentração que nem em Berlim era, havia brasileiros. Acho que isso é uma coisa boa, prova que cada vez mais nós temos poder aquisitivo pra viajar e gastar numa moeda que vale três vezes a nossa. É isso aí, Brasil!


Muro de Berlim

Na minha cabeça, o muro de Berlin foi sempre um muro que dividia Berlim em duas - oriental (soviética e comunista) e ocidental. O que nunca tinha parado pra pensar é que o muro era muito mais que isso. Quando tomou-se a decisão de subir o muro mesmo, foi meio que da noite pro dia que, se você morasse do lado que viria a ser o oriental, não podia mais passar pro outro lado. Ou seja, se você trabalhasse lá não tinha mais emprego, se tivesse família lá não os via mais. Foi bem tenso. Aí o muro foi aumentando de tamanho e cercando toda Berlim - só que não era só um muro não. Haviam dois. Era mais ou menos assim: entre um muro e outro (em paralelo), havia um espaço com areia, pregos, entre outras coisas. É que se alguém conseguisse pular o primeiro muro, dificilmente pularia o segundo, já que não conseguiria correr na areia e se
machucaria por ali. 

Só que pra consegui pular o muro você tinha que ser muuuito ninja porque o topo dele não era reto, mas arredondado, de forma que braços humanos não conseguissem se pendurar e ter força suficiente pra dar impulso de pular. Inclusive testaram até com atletas olímpicos pra ter certeza de que isso era impossível. 




Bom, aí as pessoas que estavam realmente a fim de sair da Berlim soviética tentavam de várias maneiras sair de lá: uma família passou de tirolesa, outros passavam escondidos em capo de carro, entre outras coisas. Os guardas tinham permissão de atirar em qualquer um que tentasse escapar, sem dó. 

Muitos falharam, muitos conseguiram. Acredita-se que 5 mil pessoas, aproximadamente, conseguiram passar pro lado ocidental. Achei até um link legal que descreve algumas maneiras bizarras que as pessoas encontraram pra tentar escapar.




Tudo isso eu aprendi no walking tour que fiz em Berlim e lendo um pouco os murais que ficam próximos ao Checkpoint Charlie. 

Quando o muro caiu, em 1989, você imagina a loucura que deve ter sido? Poder rever familiares e amigos que estavam do outro lado, finalmente ter a liberdade de ir e vir? Um momento marcante na história. 

Espionagem na Guerra Fria

Outra coisa que eu não fazia ideia era sobre a espionagem na guerra fria. Não vou explicar a guerra fria porque todo mundo que foi pra escola sabe, né? Então, os caras controlavam tudo e queriam saber quem falava mal do governo ou quem planejava escapar pro lado ocidental. Para isso, havia diversos informantes, muitos mesmo! Vários destes não necessariamente se voluntariaram pra ser informantes -às vezes a KGB encurralava e obrigava as pessoas a fazê-lo, chantageando e ameaçando. Eles tinham arquivos sobre todas as pessoas na Berlim oriental.

Agora, imagina a tensão de não saber se seu melhor amigo, sua mãe, seu marido não estarem na verdade te espionando? Isso aconteceu. Inclusive, quando acabou a guerra e os arquivos foram descobertos, muitas pessoas não quiseram nem ler suas "fichas" com medo de descobrir de eram espionados por pessoas da família, etc. Mais climão de "1984" impossível!!! 

Menção honrosa: os ursinhos

Os Buddy Bears surgiram nos anos 2000 com um conceito de representar paz e tolerância entre as nações e são mais de 300 na capital alemã. Eu só consegui conhecer 6!




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