Professores nativos ou não-nativos: o que é melhor?

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Eu tava pensando nesse assunto umas semanas atrás, depois de ter feito minha primeira aula de alemão. Na verdade, sempre penso e falo sobre isso com amigos... Qual a diferença de ter aula com um professor nativo e um não-nativo no idioma que ele ensina?

Primeiro quero deixar claro que, talvez inconscientemente, eu defenda o não-nativo por ser brasileira e dar aula de inglês, mas o fato é que depois de quase 10 anos como professora (gente, tudo isso?!), de
conhecer muita gente na área e de ver professores nativos em ação aqui na Irlanda, não tem como não defender a minha classe. 

Já começa por um pequeno detalhe que faz uma puta diferença: geralmente o professor nativo não estudou pra ser professor. Ele trabalha com qualquer outra coisa e resolveu dar aula (seja em seu país de origem ou fora) pra ganhar uma graninha a mais. Eu disse geralmente porque sim, existem professores que estudaram pra exercer essa profissão. 

Bom, aí esse nativo vai dar aula sabendo pouco ou quase nada de metodologia, de sala de aula. Sem contar que muitas vezes ele mal sabe como funciona o seu próprio idioma, já que sem estudos formais, é mais difícil ter noções de regras e classes gramaticais, expressões idiomáticas, uso formal e informal da língua etc, etc. Pensa em alguém que você conhece, um amigo, um parente ou até mesmo você. Agora pensa que você/a pessoa que você pensou resolveu dar aula de português porque tem vários gringos indo pro Brasil e dá pra ganhar um dinheirinho dando aula. Pensou? Agora, como você explicaria coisas do tipo acentuação (por que a palavra "também" tem acento? como são as regras do "por que"? quais as regras para o uso da crase? só pra citar uns exemplos que vieram à cabeça agora ), pronúncia dos sons nasais, entre tantas outras características e particularidades da língua?!

Pois é, meio tosco, né?

O ponto que eu quero chegar é que sim, o professor não-nativo geralmente tem um domínio da língua que ok, pode ser não ter a mesma fluidez de um nativo no idioma, mas ele certamente está mais preparado no sentido de saber do conjunto de regras da língua, uso coloquial, expressões e gírias (caso ele acompanhe de perto produtos audiovisuais que o exponham a tais), etc. Além disso, o não-nativo estuda pra ser professor, o que pra mim, é o grande diferencial nessa brincadeira toda. Ele estuda metodologia, estuda técnicas de como ajudar com pronúncia, estuda formas diferentes de interação na sala de aula, como ensinar vocabulário, etc. Ele sabe o que tá fazendo, tem um objetivo dentro de sala. 

Pensando em todos os professores de idiomas que tive na vida, posso afirmar com total segurança que os melhores foram não-nativos - tive três professores de espanhol em três anos e a melhor foi a primeira, a professora (brasileira) Helenice. Bem preparada, divertida, dava o maior suporte pros alunos. Não que eu não gostasse dos chilenos J. e V., mas eles não eram tão bons quanto. O professor J. por exemplo era um querido, uma pessoa gente finíssima que eu gostava muito, mas como professor, deixava a desejar. 

Mesma coisa quando estudei italiano: a brasileira Fernanda era, além de doce e fofa, excelente professora, bem preparada, planejava aula, trazia exercício extra pensando nas necessidades dos alunos... Já os professores italianos que tive no ICIB (que de tão bons nem lembro os nomes) eram muuuuito fracos.

Por fim, durante os 7 anos que estudei inglês só tive um professor nativo, que, por mais que fosse um cara muito bacana, preparava aula e tal, não era tão bom quanto tantos outros não-nativos que tive a sorte de ter como professores. 

Acredito que outro fator primordial que faz com que o não-nativo seja um professor melhor é que, por também ter a língua que ele está ensinando como não-materna, ele sabe das possíveis dificuldades e caminhos que o aluno vai percorrer pra "chegar lá". Ele sabe dos possíveis sons que serão mais difíceis de reproduzir, sabe de interferências da língua mãe com a língua sendo aprendida, sabe fazer a comparação de forma a auxiliar o aluno. O professor nativo, por exemplo, teria dificuldade em entender o porquê do aluno brasileiro insistir no "have" ao invés de "there is", só pra citar um exemplo rápido. 

Por esses e tantos outros fatores me frustra e irrita ver brasileiros enaltecendo professores gringos ou dizendo que é um absurdo ter aula com professor não-nativo se vai estudar fora. Aliás, você sabia que morar fora pode não significar quase nada de melhora no seu inglês? Bom, acho que vou escrever sobre isso em breve.
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