Vergonha e orgulho

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Pode parecer bobagem, mas quando algum não-intercambista aqui pergunta com o quê eu trabalho, fico envergonhada de dizer que sou babá.

Nunca ninguém me distratou ou fez algum comentário que diminuísse esse fato, pelo contrário; sempre demonstram interesse e perguntam. Mas a verdade é que no fundo, no fundo, uma parte de mim se sente um pouco com vergonha de dizer se sou babá sim. Besteira, né? É um trabalho como qualquer outro. Um trabalho, aliás, que me permitiu viajar pra um monte de lugares na Irlanda e na Europa toda, que me permite pagar o aluguel, as contas, que dá conta da minha alimentação e de todos os meus passeios. Ora, no Brasil eu não conseguiria fazer nada disso com o meu salário de professora. 


Sempre sem dinheiro, mas pelo menos aqui, viajando.

Porque nossa, eu enchia a boca pra falar que era professora, ainda mais na Cultura. Eu sei que não é um big deal nenhum, mas a Bárbara criança e adolescente, aquela que se apaixonou pelo inglês desde muito jovem, tinha uma imensa admiração pelos professores da Cultura Inglesa. Fui aluna de lá por 6 anos e nunca me esqueço de professores como a Adriana (grande inspiração) e Ana, que não só me encorajou quando eu disse pra ela lá nos meus 14 anos que eu queria ser professora, como acabou trabalhando um ano todo comigo praticamente 10 anos depois, como minha coach na própria Cultura. 

E não tem jeito, tem essa coisa do professor de inglês no Brasil, né? "Nossa, que legal, você é professor de inglês", como se isso fosse sinônimo de diversão e glamour o tempo todo. Mas a gente gosta de se sentir importante, essencial. E eu gostava de me sentir assim às vezes. 

Não que eu não me sinta importante como childminder, mas é diferente, né? Não é um trabalho que exija muito do meu intelectual (apesar deu ter que ser firme às vezes e ter que tomar decisões rápidas e tal tal tal) - eu troco fralda, brinco, converso, busco na escola, nada de muito elaborado e sensacional.

Talvez eu tenha essa sensação porque eu amo ser professora e amo dar aula de inglês (não pra adolescentes ricos, que fique bem claro - isso eu não quero NUNCA MAIS), e é na sala de aula que eu me sentia especial. Sabe aquele ditado "do what you love and love what you do"? Era isso.
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