Confusões e mal-entendidos nas primeiras horas em Berlim

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Saímos de Praga bem cedo pois nosso trem pra Berlim partia às 8:00 e pouco. Chegamos cedo na estação e ficamos esperando o painel mostrar a plataforma do nosso trem até os 45 do segundo tempo - que agonia! Subimos no trem e entramos numa cabide que só tinha um cara dentro. 

Dormi grande parte do caminho e acordei pra comer um lanche (5 euros com a bebida). Desembarcamos em Berlin pouco mais de uma da tarde e ficamos totalmente perdidos. A gente sabia que tinha que pegar o metrô, sabia  das baldeações, mas gente, a estação Hauptbahnhof é muito, muuuuito grande. Andamos, subimos e descemos escada, até que resolvemos perguntar no centro de informações. Beleza, tinha que ir pra plataforma 15, mas antes: comprar os bilhetes. As máquinas nessa estação também incluíam comprar bilhetes de viagens de trem pra outras cidades, então ficamos um tempão pra descobrir como comprar nossa simples passagem de metrô.

Pegamos o bendito e descemos na eatação Warschauer Straße pra poder fazer a baldeação. Só que a baldeação não era feita dentro da estação não, ela era externa. E quando vimos a área, já ficamos meio desconfiados. Mas a desconfiança não era nada até chegarmos no trem. Gente, o trem! Me senti na Lapa indo pra Guaianazes, sabe? Hahaha. Que bizarro... A gente tem esses conceitos de "Europa é moderna", "Alemanha é impecável" e fica meio surpreso quando vê que não é bem assim. 


Com a ajuda de um mapinha que eu já havia impresso da estação de trem até a casa onde ficaríamos (aprendi com o R. - um mapinha desses ajuda muito!), andamos uns 10 minutos até chegar. E, de novo, a área ali assustou porque tava muito com cara de centro de SP, sabe? Mas não, isso não era nada em comparação com o nosso espanto ao entrar no apartamento e ver os lençóis e toalhas todos jogados no chão da sala. WTF?! Liguei na hora pra host, que foi meio indiferente e pediu desculpas bem de qualquer jeito dizendo que como havia sido Reveillon, não tinha dado tempo de limpar mas que a moça da limpeza já estava a caminho. E de fato, em menos de 5 minutos ela chegou, falando zero palavras em inglês. 

Foi a hora do alemão do Cé entrar em uso: ele conseguiu conversar com a mulher e entender que ela precisaria de mais ou menos uma hora pra arrumar o apê. Pegamos algumas sacolas pra ir no mercado e saímos, cansados e frustrados. No caminho pro mercado (na rua de casa), vimos uma lanchonete e comemos alguma coisa. Conseguimos comprar um mapa também e fizemos uma comprinha (leite, pão, macarrão, essas coisas). Ao voltar pro apartamento, a mulher já tinha ido embora e tava tudo limpinho. Tomamos nossos banhos, comemos e pensamos: poxa, tá muito cedo pra ir dormir agora!

Minha mãe tava meio cansada, mas chegamos à conclusão que seria melhor sair pra ver alguma coisa na cidade pra não desperdiçarmos essas horas. E assim fomos conhecer o Portão de Brandenburgo:



O Portão é um símbolo da cidade e acima do arco há a quadriga, estátua da Deusa Irene (deusa da paz) em uma biga puxada por cavalos. Mas uma história engraçada é que quando as tropas francesas de Napoleão invadiram Berlim em 1806, Bonaparte mandou levar a estátua pra Paris querendo mandar a mensagem "tá dominado, tá tudo dominado". Só que alguns anos depois, após a guerra da libertação, a quadriga voltou a Berlim e recebeu uma cruz de ferro e uma águia e passou a significar vitória. 



Tiramos nossas fotos, passamos por debaixo do Portão, andamos pela região e resolvemos ir pra casa descansar para o dia seguinte. Pegamos o metrô e quando subíamos a escada rolante, minha mãe, que estava atrás de mim, diz: "Bá, tentaram roubar minha bolsa!".

Tomei um susto. Roubar a bolsa? Quem? Quando? Onde?

Aí olhei pra trás e vi que tinha um cara, na verdade um moleque, atrás dela. Nisso já havíamos saído da escada rolante e ele tava meio perto, rodeando a gente - tinha um "comparsa" dele próximo também. Minha mãe tava esperta e como segurava a bolsa (que era dessas tira-colo), ele não conseguiu nem abrir. O foda é que a gente tinha que abrir o mapa pra poder ver a direção certa do metrô (e os nomes em alemão ajudam bastante, claro) e ficamos com medo de ficarmos ali parados na plataforma com esses caras perto. Aí meu irmão, num momento de luz e sabedoria, lembrou-se do nome da estação certa sem precisarmos checar no mapa. Ufa!

Nem preciso dizer que minha mãe ficou super aflita, nervosa, preocupada, com uma péssima impressão de Berlim naquele dia. E não é pra menos, eu entendo perfeitamente: na minha viagem pra Buenos Aires, mal havia chegado na cidade e tentaram roubar minha bolsa - só não levaram porque minha amiga foi muito ninja e me puxou. Lembro que chorei, fiquei aflita e com ódio da capital argentina - ódio que, logicamente, passou quando tomamos precauções de segurança e quando vi que a cidade tinha mais a oferecer. Tentamos acalmar minha mãe e nos dois dias que ainda ficamos em Berlim, ela não saiu mais com itens de valor na bolsa - assim ficou mais segura e tranquila e mudou totalmente sua opinião sobre a cidade!

O que nos aguarda no próximo post...
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