Fui pra Roma por causa dela

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Eu não sou pessoa de show. Não gosto do vuco-vuco, da bagunça, de sair tarde do local e não ter como voltar pra casa usando transporte público, etc. Durante meus 26 (ou 27?) anos de vida, estive em pouquíssimos shows: Eliana, Titãs, Five, Madona, Agridoce, RPM, Kid abelha e Laura Pausini, claro.

Depois do perrengue que passei no show da Madona no Morumbi, prometi a mim mesma nunca mais ver show em estádio (mas nem se Michael Jackson estivesse vivo e viesse pra Dublin!). Sendo assim, só ia em show que fosse em local fechado e de preferência, com assentos. Pode chamar de fresca, mas só quem tem o meu tamanho sabe como é foda enxergar com gente na sua frente (porque qualquer um será mais alto). 

Tudo isso pra dizer que eu amo a Laura Pausini e já fui em 3 shows dela: 2009 , 2012 e 2013.

O show de 2006 foi bom, mas comprei ingresso em cima da hora e não peguei bom lugar. O de 2012 foi maravilhoso, não tive dó de colocar a mão no bolso e paguei caro pra sentar perto. O de 2013 foi catártico, divino: abertura da turnê mundial em Roma! Na verdade, esse foi o grande motivo deu ter ido pra lá semana passada!

Como comentei aqui, no fim do meu segundo dia em Roma acabei ficando em cima da hora e corri pra casa onde estava hospedada pra pegar meu ingresso e partir. R. não foi comigo, então eu ia me virar sozinha mesmo. Peguei o metrô e desci na estação mais próxima da Palattomatica

Na saída do metrô perguntei pra uma mulher como fazia pra chegar lá. Demorei vááários segundos pra formular a simples pergunta e quase que a mulher desiste de mim e sai andando! No fim ela não sabia me informar e sugeriu que eu perguntasse prum casal que tava na maior pegação ali perto. 

Eu circunstâncias normais eu jamais pediria informação prum casal se pegando, mas eu precisava perguntar, né? Esperei eles desgrudarem e perguntei como chegar no local. O cara foi simpático e me explicou direitinho (eu já tinha olhado no mapa, mas queria confirmar!). 

Andei bem correndinho e perguntei pro segurança onde era meu portão (já tava me achando no italiano). Cheguei, sentei, tirei o celular da bolsa pra ver a hora: 8:37pm! Ufa! Eu consegui chegar!

Tinha um cara do meu lado que puxou conversa. Começamos a bater-papo e ele me disse que fazia parte do fã-clube da Laura, que eu deveria fazer parte também e não-sei-mais-o-quê. Ele era da região da Puglia e tinha um sotaque da porra, mas consegui entender 90% do que ele falou comigo e consegui responder tudo em italiano - com exceção de uma hora que travei e saiu um "because" do nada! hahaha

O show começou com uns 20 minutos de atraso e a casa de show tava lotada. Diferente das outras turnês em que a Laura abria com músicas animadas, dessa vez ela começou com a balada "Se non te". Meu mundo veio abaixo. Não consegui nem levantar de tão emocionada que fiquei. Eu chorava e cantava num transe, uma coisa catártica mesmo. E foi assim por mais duas músicas: "Non ho mai smesso" e "Benvenuto".

Mesmo sendo VIP, não fiquei tão perto quanto esperava, mas tá bom

Depois dessas primeiras músicas consegui me acalmar. 

Aí ela deu sequência contando histórias da carreira e apresentou as músicas nas novas versões que gravou pro Greatest Hits. Explico: ao invés de simplesmente lançar um álbum com as melhores músicas, Laura refez a grande maioria delas; as canções estão com vocais diferentes, novos arranjos, enfim, um presente pros fãs que tão ouvindo essas músicas há 20 anos, né? Eu particularmente gostei muito, apesar de não ter me surpreendido em todas, já que pra algumas das músicas ela só gravou o que já fazia ao vivo em alguns shows de turnês passadas...

Em "She" ela homenagenou a mãe, em "Prendo te" a irmã, em "Invece no" a avó. Cantou algumas das minhas preferidas ("E ritorno da te" e "Tra te e il mare", por exemplo) e não deixou de cantar em português, na nova versão de "Le cose che vivi/Tudo que eu vivo" - amei e chorei muito!

 
Vídeo gravado por mim!

No primeiro BIS, Laura voltou toda trabalhada no ritmo caliente pra cantar "Non c'è". No segundo BIS ela cantou as 3 últimas: duas inéditas ("Dove resto solo io" e "Limpido") e seu primeiro e maior sucesso, "La solitudine" (que tá com instrumentação do Ennio Morricone - aquele mesmo, do cinema - porque ela pode, né?).

O show acabou, me desfiz em mais lágrimas e saí à procura de um táxi, já que já passava das 23:30 e não tinha mais metrô. Como todos os táxis próximos ao local do show estavam ocupados, desci em direção à estação na esperança de que ali haveria um ponto de táxi. Mas claro que não, não tinha ponto nenhum. A rua tava meio escura, apesar de ter um pessoalzinho voltando do show também. Como ali naquela rua parada não ia passar táxi coisa nenhuma, segui em direção à avenida que estava mais movimentada.

Eu tava com medo porque a avenida, apesar de movimentada, não tinha ninguém, só carros passando. Andei, andei, andei e recebi mensagem do R. todo preocupado dizendo pra eu ligar pra ele caso não conseguisse pegar táxi - eu tava sem crédito (estudante eu sou) e logicamente, não liguei, mas tinha fé de que logo conseguiria um táxi.

Um cara se aproximou de mim e perguntou se eu tava esperando táxi - eu fingi que não entendi e ignorei. Aí vi que estava bem próxima de um ponto de táxi mesmo, que estava vazio. Havia duas moças esperando na calçada e eu andei um pouco pra rua, já que havia bastante espaço e os carros não tavam passando naquela faixa. Andei pra poder ser melhor vista, sabe?

Em menos de 5 minutos, passou um táxi e dei sinal. Quando ele parou, as duas moças foram em direção à ele. Ele abriu a janela e corri pro lado dele e disse o meu endereço. Ele olhou pra elas sem entender, elas assentiram com a cabeça e ele disse "prego, prego" e entrei no carro. Não sei se elas ficaram com dó de mim por eu estar sozinha, mas o importante é que eu tava segura. Ou quase. O motorista não tava usando cinto e eu não tava reconhecendo nada do caminho (claro que não ia reconhecer, né gente, não moro lá!). Fiquei preocupada, mas o coração tranquilizou quando avistei o Coliseu: ali eu sabia que tava perto de casa. A corrida deu 18 euros (eu havia calculado por um site antes que daria uns 25 euros, melhor ainda!) e antes da 1 da manhã eu tava em casa, para alívio do R. e meu também.

Foi um show inesquecível, ou como diria a Laura, "Incancellabile oramai"...

"Non c'è" em ritmo caliente!

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