Um novo capítulo na minha vida irlandesa

/

Em abril de 2015, menos de um mês após ter renovado o meu visto de estudante aqui na Irlanda, minha escola fechou.

Não foi só exclusividade dela, claro - desde o ano passado foram mais de uma dezena de escolas fechadas por diversos motivos: má administração, má fé dos donos, intervenção da imigração, etc, etc.

A verdade é que eu sempre soube que a MEC não era a melhor escola do pedaço - inclusive fiz diversos posts que falam sobre a qualidade duvidosa das aulas. Mas percebi, principalmente no final de 2014 e começo de 2015, um esforço da equipe em melhorar diversos aspectos - mudaram a escola pra um prédio melhor que pudesse abrigar mais alunos e que oferecia uma infra muito melhor; alguns professores até pareciam ou fingiam muito bem que preparavam aula e assim por diante. Renovei com eles por uma questão de praticidade: a minha frequência estava em 70 e poucos % e se eu mudasse de escola, seria difícil conseguir renovar com menos da frequência recomendada, que é de 85%.

Paguei os mil euros do curso e renovei meu visto sem nenhum problema e nenhum tipo de pergunta.

Quando voltei das férias no Brasil comecei a acompanhar notícias de que os professores estavam protestando por falta de pagamento e os boatos de que a escola fecharia espalhavam rapidamente pelos fóruns e sites de intercâmbio na Irlanda. E não muito tempo depois o que eu já desconfiava aconteceu: a escola fechou as portas, deixando dezenas de professores e funcionários sem pagamento e centenas de alunos sem aula - além de terem perdido seu dinheiro também.

Não me desesperei: eu sabia que o governo não ia tomar muitas providências pra resolver a situação (quem liga pra estudantes estrangeiros?!) e que eu não veria a cor do meu dinheiro. Como a vida é assim mesmo, resolvi seguir em frente e pensar em outra solução.

O governo irlandês anunciou que os alunos que estavam matriculados na escola teriam seus vistos honrados - ou seja: o meu visto vence em março de 2016 e eu não precisaria mais comprar curso em nenhuma outra escola pois minha permissão pra trabalhar e morar no país continuaria válida até esta data. O problema estava no seguinte: pra quem quisesse permanecer no país após o vencimento do visto, seria necessário comprovar matrícula e frequência em outra escola.

Exatamente, eu teria que comprar um outro curso de inglês.

Como a gente sabe que a Bárbara só comprou o curso de inglês pra ter o visto e já tinha perdido mil euros nessa brincadeira, não dava pra não considerar as opções com cautela. Nessa altura do campeonato as escolas "boas" de inglês estavam cobrando preços altíssimos e eu não via sentido em gastar mais dinheiro com isso...

Foi aí que resolvemos (eu e R.) adiar um plano que só seria colocado em prática em 2016: me matricular num third level course, ou seja, num curso superior.

Eu sempre quis fazer mestrado e esse era um plano para o ano que vem: em 2015 e 2016 eu juntaria dinheiro para tal e em setembro de 2016 começaria o curso. O problema (de novo, mais um) é que cursos superiores na Irlanda (e Reino Unido) são caros, principalmente para alunos não-europeus: os preços podem ser 2 ou até 3 vezes mais altos do que pra alunos europeus!

Mestrado não rolaria e faculdade eu não queria fazer de novo. Foi quando descobri uma outra modalidade de curso superior aqui na Irlanda, o gradute diploma.

O gradute diploma tem o mesmo nível de mestrado (nível 9 da imagem abaixo) com duas principais diferenças: carga horária menor e a ausência de uma dissertação final (esse post aqui explica direitinho como é o sistema de ensino na Irlanda). Ah, e o preço também, que é mais baixo.



Sendo assim, os critérios para que pudéssemos achar um curso pra mim seriam:

  • Algo do meu interesse - ora, se fosse pra estudar e investir dinheiro, que fosse pra fazer algo na minha área (línguas e educação);
  • O curso deveria ser full-time, exigência da imigração pra alunos internacionais;
  • A instituição deveria estar na lista MEI que a imigração divulgou ano passado (e que sofrerá alterações a partir de outubro deste ano, quando novas regras pra estudantes entrarão em vigor). Ou seja, não poderia ser simplesmente qualquer lugar nem qualquer curso.


Começamos a pesquisa e depois de muito ler daqui e pesquisar dali, chegamos numa lista muito pequena de opções. A verdade é são poucos os cursos que atendiam as minhas exigências e um deles me chamou muito a atenção: um gradute diploma em English Teaching na UCD.

Pra quem não sabe, a UCD, juntamente com a Trinity, são as melhores universidades de Dublin e umas das melhores do país. Em termos de prestígio, a Trinity ganha (até pelo seu tempo de existência e tal), mas em termos de qualificação, a UCD não fica longe.

Havia um outro curso na NCI que eu gostei por um preço menor, mas eu tinha gostado mais do programa do curso da UCD. Era mais caro, mas já que era pra gastar esse dinheirão, que fosse na melhor!

Entrei em contato com o ICOS (Irish Council for International Students) pra saber se seria ok eu simplesmente começar o curso em setembro ou se precisaria avisar a imigração que mudei de curso - afinal de contas, nos registros deles eu estou matriculada na MEC como aluna de general English. Me garantiram que não haveria problema nenhum e que eu poderia seguir em frente. Quando me matriculasse na UCD automaticamente eles mandariam uma carta pra imigração com cópia da minha matrícula e em março, quando meu visto vence, eu poderia ir até o escritório do GNIB e pedir uma extensão do meu visto até o término do curso (que é de 1 ano).

E é assim que eu deixarei essa vida de frequentar aulas de inglês pelo visto. Agora vou estudar algo importante de verdade, algo que valerá a pena não só pra minha vida pessoal, mas também acadêmica e profissional.

ps.: em breve também contarei sobre o processo de matrícula pro curso na UCD.
Web Analytics

@blog_barbaridades

Back to Top