National Museum of Ireland - Country Life

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Eu tinha esquecido de postar sobre esse museu que visitamos na nossa pequena viagem à Mayo há pouco mais de um mês. No nosso segundo dia lá tínhamos planejado passar um tempo no parque nacional e depois seguir viagem pra Achill, mas infelizmente, o clima não tava colaborando. Chovia muito e não parecia que São Pedro ia ajudar.

Foi quando lembrei de um museu que eu tinha ouvido falar há um bom tempo: o National Museum of Ireland - Country Life.

A Irlanda tem quatro museus nacionais: o Museu de História Natural, o Museu de Arqueologia, o Museu de Artes & História e o Museu de Vida no Interior. Eu tive a oportunidade de visitar todos os outros nos meus primeiros aqui, já que eles ficam em lugares de fácil acesso em Dublin. No entanto, o Country Life é o único que fica em outro condado - e pra dizer a verdade, ele fica num canto super escondido - um pouco antes da principal cidade do condado, Castlebar.



Já vou dizer de cara que, dos quatro museus, esse é o mais bem cuidado e o mais interessante. A entrada, assim como nos outros, é de graça e nós ficamos lá umas boas 3 horas, quando poderíamos ter ficado ainda mais (não tem jeito, depois de umas duas horas a gente fica meio cansado de museu mesmo).


Basicamente o museu aborda não só diferentes aspectos da vida no interior, mas também cultura e folclore irlandês, assunto que sempre me interessam muito. Os três andares do museu cobrem os seguintes assuntos:


  • Palha e feno
  • Romance e realidade
  • O ambiente natural
  • A Irlanda rural: 1850 - 1950
  • Lar e casas
  • Trabalhando na terra e na água
  • Vida na comunidade
  • Comércio e artesanato
  • Pedalando no interior

Cada um desses itens é tratado de forma super completa através de painéis, fotos, vídeos, áudio e objetos. Tem tanta informação que você fica até perdido! Queria ser um computador pra conseguir absorver tudo que aprendi, sabe?

As exibições que eu mais gostei foram as que tangem a parte mais sociológica e histórica do país: tradições escolares (e como os "mestres" eram pessoas respeitadas na sociedade, muitas vezes o único na comunidade local que sabia mais sobre o mundo), casamentos (as mulheres se mudavam pra casa da mãe do marido e deveriam tomar conta da casa, quando muitas vezes a sogra ficava chateada por conta disso), diferentes ofícios (havia um modelo de oficina de sapateiro, dono de loja, carpinteiro, etc) e também como as pessoas faziam suas roupas da lã da ovelha, não tinham sapatos, seus objetos de cozinha, etc.

Uma das minhas partes preferidas foi a primeira parte na entrada, que fala da romantização do interior. Explico: antigamente (e atualmente também), havia uma certa idealização do que seria a vida no campo, no interior, de como tudo seria descomplicado e tranquilo. A exposição traz fotos, cartões-postais e pôsteres de filmes que exemplificam isso. Depois, mostram outras fotos e relatos que expõem a realidade do interior, principalmente antigamente, quando a pobreza era muito grande e a vida de modo geral, sofrida.





A exposição sobre as bicicletas fala um pouco sobre a história da magrela, mas foca em relatos de gente que de alguma forma teve sua vida tocada pela bike. Nos anos 30 as bicicletas eram o principal meio de transporte nas comunidades - inclusive até hoje os carteiros usam as bikes pra entregar correspondências! O site do museu é tão completo que tem praticamente todas as infos dos painéis - vale muito a pena ler essa sessão!



No último andar (que na verdade é o térreo), passamos por um cantinho interativo que funcionava da seguinte maneira: havia papéis e caneta para que você escrevesse sobre alguma memória que tenha sido revivida por conta do que você viu no museu. Aí eles plastificam os papéis e colocam num fichário, a coisa mais linda. Sentei ali um tempo com o R. e lemos diversas histórias lindas de gente que foi tocada pelo museu e lembrou de sua infância, avós, etc, etc. Achei a ideia super legal!



Por fim andamos pela lojinha do museu (como sempre em museus aqui, sempre muito boa, cheia de produtos lindos e de qualidade) e tomamos um café na cafeteria. Sem dúvida excelentes horas gastas indoors! Sei que dificilmente alguém que mora em Dublin estará nas redondezas de Castlebar pra conhecer esse museu, massss se algum dia você estiver por aquelas bandas, recomendo demais!
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