Muito mais que um museu de casas georgianas

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Um museu que eu ainda queria muito visitar aqui em Dublin era o Georgian House Museum - cheguei até a inclui-lo na minha lista de coisas que eu ainda queria fazer em Dublin no meu 2º ano de Irlanda.

Aí um dia vi um post no blog da Taís sobre a arquitetura de Dublin, que é bastante georgiana e pensei: ah, acho que vou convidá-la pra ir no museu comigo e mato dois coelhos numa cajadada só! Além de ter visto muita coisa interessante por lá, acabei conhecendo a Taís pessoalmente - Taís, você é muito fofa, viu? E é tão bom poder conversar com alguém do meu tamanho, às vezes canso de ter que ficar olhando pra cima quando falo com alguém... #vidadebaixinha

O Georgian House Museum na verdade fica numa antiga casa mesmo, bem ali na Merrion Square. Na entrada o funcionário explicou que o tour é auto-guiado e no início haveria um vídeo de aproximadamente 15 minutos sobre a casa e outras curiosidades. A entrada pra estudante custa 3 euros!

ps.: fotos no museu não eram permitidas, então todas as fotos do post foram retiradas do google, ok?

O vídeo estava com legenda em espanhol porque tinha uns turistas espanhóis por lá e confesso que foi engraçado ouvir em inglês e não conseguir evitar ler a bendita da legenda, só pra confundir a cabeça. Basicamente a narradora era a primeira dona daquela casa, Mrs Olivia Beatty, viúva de um comerciante de vinho bem-sucedido em Dublin. Ela vai contando sobre a rotina na casa, seus funcionários, família, alimentação, etc. A gente acaba descobrindo mais como uma família de bom poder aquisitivo vivia nessas luxuosas casas e como era a vida dos menos afortunados que ali trabalhavam....

No vídeo teve muita coisa interessante, como o fato da família, além de ter uma governanta e um cara que cuidava dos cavalos e do transporte das pessoas da casa, uma moça que morava com eles e ajudava a cuidar das crianças, os primórdios da au pair do século XIX! Além disso, entre outras coisas, fiquei impressionada ao saber que na época chá era luxo e que as pessoas tomavam somente leite ou cerveja com as refeições.

Bom, depois do vídeo começamos a conhecer os andares da casa: são 5 no total (um subsolo, o térreo e mais 3). É engraçado estar numa casa com esse tipo de arquitetura porque elas são super estreitas na larguras mas bem fundas, sabe?

No subsolo é onde podemos observar onde ficava a cozinha, adega, despensa... lembrando que esse museu foi todo renovado nos anos 90, então o modo como vemos todos os cômodos é como eles realmente entre final dos 1700 e começo dos 1800.

No térreo há somente a recepção, um café, enfim, a parte do museu mesmo.

No primeiro andar ficava a sala de jantar toda chique e maravilhosa! O corredor era todo decorado com quadros lindos e relógios daquele tipo do cuco.





No segundo andar havia o quarto principal e o dressing room - sim, os caras tinham um cômodo dedicado à arte de trocar de roupa. O quarto era lindissimamente decorado e a cama era daquelas que tem as cortinas em volta. Além disso, a altura da cama me chamou a atenção, porque até escadinha pra subir na cama tinha - havia uma placa do museu dizendo que provavelmente disso é que veio a expressão "climb to bed".



Por fim, no último andar ficava o quarto da governanta e o das crianças, juntamente com o espaço onde eles brincavam.

Enfim, foi bacana conhecer o museu porque além de saber como era uma casa georgiana eu pude aprender um pouco mais sobre como Dublin era na época que essa primeira moradora se mudou pra lá: uma cidade que estava crescendo, bombando, tinha navio e gente chegando de tudo que é lugar. As ruas estreitas davam lugar a ruas mais largas, parecidas com as ruas das grandes capitais do continente. Só que ao mesmo tempo que Dublin tinha uma certa sofisticação, a cidade também tinha muita pobreza e violência - muitos roubos ocorriam, além de casas serem invadidas também. Algumas áreas da cidade eram extremamente mal iluminadas, muitos mendigos moravam nas ruas e muitas famílias (famílias de 8, 10 pessoas ou mais) viviam em um cômodo só, sabe?

Casas georgianas

Na virada do século algumas mudanças começaram a ocorrer e por causa do Act of Union, muita gente que tinha associação com o parlamento vazou daqui, deixando suas grandes casas e mansões. A Leinster House, que era residência do Duke de Leinster, por exemplo, acabou sendo vendida e muitas dessas construções se tornaram prédios de negócios, como o Bank of Ireland da College Green.

O fato é que sempre dá pra passar umas boas horas pelos ótimos museus dessa cidade e o Georgian House é um deles - não deixe de visitar!
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