My third goodbye

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O primeiro post dessa série foi publicado em 2013, quando minha amiga Bia foi embora da Irlanda. Sofri e chorei muito porque ela foi o primeiro contato que fiz antes de vir pra cá, viramos amigas, flatmates... permanecemos amigas e nos falamos com frequência até hoje, mas na época foi difícil lidar com a despedida.

O segundo post da série veio em 2014, quando me despedi da família M. depois de trabalhar um ano com as pequenas É. e C., duas belezinhas que hoje tem 5 e 4 anos de idade. Teve muita choradeira porque eu me apeguei às duas, mas felizmente tive outras oportunidade de visitá-las e inclusive passar um dia com elas no fim do ano passado. A família ganhou um novo membro, o pequeno D., de um mês de idade, que ainda não conheci.

A minha terceira despedida, no entanto, vem em 2016, quase dois anos após ter começado a trabalhar com a família C.

É até difícil pensar em palavras pra descrever o quão generosos e respeitosos eles foram comigo, de verdade. Chefes como esses eu sei que nunca mais terei na vida - acho que é uma daquelas coisas de uma vez na vida e outra na morte, como diz minha mãe.

A minha chefe também chama Bárbara, sem acento. Ela foi muito importante na minha vida aqui na Irlanda pois me apoiou em diversos momentos, ajudou, me deu espaço para férias, respeitou dias em que estive doente, enfim, ela foi muito mais do que uma chefe.

E os meninos? Ah, os meninos. Vou sentir falta deles! Dois anos na vida de uma criança é muita coisa e vi esses dois amadurecerem e evoluírem demais. Dos surtos de nervosinho que o J. tinha quando não conseguia fazer alguma coisa à choradeira do S. quando perdia um jogo, esses dois certamente fizeram as minhas tardes melhores. Afinal de contas, como eu saberia sobre super-heróis, Yogioh cards, Scooby Doo, Transformers, Rescue Bots e tantas outras coisas do universo dos meninos?


Hoje eu sei que os super-heróis existem, e que só não os vemos porque eles moram em Nova York. Também sei que o cartão mais poderosos do Yogioh é o Dark Magician, e também que o Diego Costa é um dos melhores Match Attax que alguém poderia ter.

Também sei brincar de corrida de carrinhos, de Bárbara-monster, de police & robbers e lego. Sei desenhar qualquer monstro, sei fazer qualquer robô e sei montar qualquer quebra-cabeça, especialmente os de fazenda que o S. tanto gosta.

Sei brincar de Jurassic Park, zoológico, cabra-cega e disco dancing. Sei brincar de esconder pistas no jardim, de enterrar tesouro e desenhar uma cidade com giz no chão.

Também sei lutar kong-fu, com espadas, sem espadas, com luvas de boxe e sabres de luz.

Nunca me esquecerei do carinho e grude do S., que vem correndo e pula em cima de mim com seus braços e joelhos pontudos sem a menor cerimônia. Também não esquecerei de J., que gosta de passar as mãos em meu cabelo e me fazer perguntas constrangedoras, como "por que você está na faculdade se você é adulta?" e "você e o R. não são casados mas moram juntos?".

Ah, mas também não esquecerei da pequena D. Não passamos tanto tempo juntas, afinal de contas a minha função era muito mais manter os dois crazy kids entretidos. No entanto, tivemos alguns momentos ao longo desses seus 10 meses de vida que foram muito especiais: ela adora passar a mão no meu capacete vermelho quando estou indo embora e colocar seu dedo na minha boca, como se fosse um pequeno anzol. Seu sorriso e brincadeiras são uma alegria e agora ela até sabe mandar beijinhos! Nunca me esquecerei de quando a vi pela primeira vez: o primeiro bebê recém-nascido que peguei nos braços na vida.

Barbara disse que eu sou parte da família  e que poderei visitá-los sempre. E mesmo que ela não me dissesse isso, eu já sabia. Vou sentir saudades, mas não vou esquecê-los. Ao contrário das meninas que cuidei por um ano que era muito pequenas, esses dois já tem 4 e 6 anos e acho que poderão se lembrar de mim no futuro. Espero ter deixado o mesmo impacto neles tanto quanto eles deixaram em mim.


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