My fourth goodbye

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Sim, a hora do quarto adeus chegou. Minha primeira despedida aqui na Irlanda foi da Bia, quando ela foi embora pro Brasil em 2013. Em 2014, me despedi da família M. com quem passei quase um ano trabalhando como babá fulltime. Em 2016, foi a hora de dizer tchau para a família C., com quem trabalhei por dois anos como babá meio-período. E agora, em 2017, me despedi dos meus alunos e colegas de trabalho nas duas escolas onde trabalhava aqui em Dublin.

Foram 6 meses na escola que fica na Hartcourt St. e 4 na outra escola na região do Temple Bar. Foi tudo muito intenso, especialmente nos últimos 4 meses, já que estava fazendo jornada dupla indo de uma escola à outra no horário de almoço e não tava fácil conciliar. Fora que trabalhar em duas escolas diferentes significa estar por dentro de procedimentos diferentes, planos de aulas diferentes, chefes diferentes...

A escola onde comecei em novembro não era a melhor do pedaço, mas consegui encontrar o meu espaço. Dava aula para turmas de upper-intermediate e gostava bastante de alguns colegas. Nunca tive problemas com ninguém, sempre fui elogiada por alunos e pela chefe, e peguei uma boa experiência dando aula para esse nível e também para o exame FCE.


Eu vinha tentando uma vaga fulltime lá mas não havia turmas no horizonte para o período da tarde, então justamente por isso eu comecei a trabalhar em outra escola. Mas essa outra escola nunca foi muito prazerosa de se trabalhar. Primeiro porque comecei de uma maneira meio jogada, cobrindo aulas aqui e ali e nem ser apresentada aos outros professores fui. Além disso, eles deram várias mancadas comigo (me mandar pra unidade errada, não me dizer horários direito, entre outras coisas) e sei lá, nunca me senti muito bem-vinda ali. A verdade é que eu era uma das poucas professoras não-nativas na escola e sentia um pouco de estranhamento e até preconceito de alguns colegas.

Mas o que mais me incomodava era ter que ouvir os professores irlandeses falando mal dos alunos brasileiros absolutamente o tempo todo. O TEMPO TODO. Não vou ser hipócrita, a gente às vezes reclama de aluno na sala dos professores sim, mas aquilo era num nível absurdo. Não só reclamavam como faziam comentários pejorativos e de mal gosto. E eu ficava ofendida porque porra, eu sou brasileira, né? Então nunca fiz amizade com nenhum professor ali e fiquei aliviada de dar as costas para aquela escola.

Claro, eu fiquei muito feliz de ter tido a oportunidade, ainda mais porque o diretor era nada mais nada menos do que o A., que meu deu aula no curso preparatório de CPE em 2014. Mas no fim das contas, nós nos vimos pouquíssimas vezes porque ele estava sempre super ocupado!

Agora, a tristeza mesmo foi me despedir dos alunos - das duas escolas! Ganhei bolo-surpresa, chocolatinhos, cartões, livro assinado pelos alunos da sala... e muitos abraços e desejos de boa sorte na minha nova aventura. Não me sentia assim querida por alunos há muito tempo - provavelmente desde o meu aniversário em 2012, quando minha turma da Cultura fez uma super festinha pra mim no sábado à tarde...







Esse carinho e mensagens recebidas me deram um ânimo de energia e me fizeram re-acreditar que sim, ser professor às vezes é um saco, cansa, somos mal-remunerados e apreciados, mas podemos fazer a diferença na vida das pessoas. E é por isso que continuo dando murro em ponta de faca e lutando por exercer a minha profissão nesse país.

Aos alunos, o meu muito, muito obrigada!
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