Géiseres del Tatio e o mal de altitude | Chile #5

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Começamos o dia cedo, muito cedo. Faríamos o tour para os Géiseres e a van da empresa Colque Tours passaria para nos buscar entre 4 e 4 e meia da manhã. Cedo? Nem me fale. Fomos dormir o mais cedo que pudemos no dia anterior mas pelo menos ao sair do hostel na calada da noite, nos deparamos com um céu estrelado maravilhoso - a única oportunidade que tivemos de, de fato, ver o céu do Atacama com todas as suas estrelas!

A van era bem espaçosa e confortável e ainda passou para pegar mais algumas pessoas no caminho. Tivemos que preencher um formulário e esperar - o caminho até o destino final era longo, levaríamos mais ou menos 1h e meia pra chegar e a estrada era muito, mas muito ruim. Eu, que tava preocupada com a altitude mais do que tudo, ignorei o fato de que as curvas da estrada poderiam me deixar enjoada.

E enjoada foi pouco pra descrever - não me lembro a última vez de ter me sentido assim. Depois de uns 15 minutos sacolejando na van, eu percebi que não passava bem - e mal conseguia olhar pro lado pra avisar o R. Mas lembrei que havia comprado folhas de coca e elas estavam na bolsa.

geiseres del tatio, atacama, chile

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As folhas de coca são indicadas para ajudar o pessoal que sente mal de atitude e elas ajudam mesmo, apesar do gosto HORRÍVEL e AMARGO. Enquanto eu tentava achar o saquinho com as benditas das folhas na mochila sem olhar pra baixo pra não passar mal, só respirava fundo e pensava: "Respira fundo, Bárbara! Nem pense em vomitar! Não temos saquinhos, não tem como!", hahaha. Mas aí achei a coca. Mastiguei as folhas. Fiquei olhando pra frente. E em uns 20, 30 minutos (não sei ao certo), a tontura passou e consegui até cochilar.

Chegando na primeira parada dos Géiseres para ir ao banheiro, já bateu aquele desespero: tava muito frio. Temperatura negativa com certeza - depois perguntei ao guia que disse que naquela manhã faziam -5 graus. Sim, nós levamos roupa de frio - aliás, foi bizarro fazer essa mala pro Atacama, acho que farei um post só disso, será? - mas mesmo assim, não levei tuuuudo não. Então passei um friozinho, mas nada que me impedisse de curtir o lugar. Pra ser sincera, quando tô com dor de cabeça, passando mal e tal, prefiro mesmo passar frio, sentir o vento gelado.

geiseres del tatio, atacama, chile

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Os Gêiseres del Tatio estão localizados a 4.320 acima do nível do mar e é o terceiro maior gêiser do mundo - e o maior do hemisfério sul (os maiores são Yellowstone nos EUA e a Blue Lagoon na Islândia).

Basicamente é uma região rodeada de montanhas, e seu principal atrativo é a fumaceira que sae para a superfície por conta de buracos na terra - de acordo com a explicação da Wikipédia, "os gêiseres de Tatio são formados quando rios gelados subterrâneos entram em contato com rochas quentes". Às vezes esse contato provoca jatos de água/vapor que podem chegar até 10 metros de altura, mas não vimos nada tão abrupto assim - somente o constante vapor e fumaça saindo debaixo da terra cujo cheiro lembrava um pouco de enxofre.

Claro que estar perto de um lugar que pode espirrar água a mais de 80 graus na sua cara não deixa de ser perigoso, então tínhamos que seguir as instruções do guia o tempo todo e não passar das demarcações no chão. A exposição à essas erupções pode causar queimaduras e até à morte: segundo o guia do nosso tour, uma senhora belga (turista) morreu ali uns anos atrás por ter chegado muito perto e caído dentro de um buraco (!).

Fora que o local está em altíssima altitude, então junta isso com o frio, aquele cheiro estranho e você tem prato cheio pra passar mal, mas apesar deu ter tido aquele episódio de muita tontura no caminho, o ar frio ajudou bastante.


geiseres del tatio, atacama, chile


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Uma pena foi o nosso guia estar com tanta pressa para sair dali, porque ele dava uma explicação rapidamente, seguia pro próximo ponto, não dava tempo de pararmos, apreciarmos, tirarmos fotos, me senti correndo uma maratona! No fim das contas estávamos de volta à São Pedro de Atacama duas horas antes do previsto - não curtimos!

Após o bem servido café-da-manhã, seguimos para um povoado de apenas 8 habitantes chamado Machuca. Na vila eles vivem de agricultura, produção de próprios queijos e turismo, claro. É possível comprar alguns itens de souvenir e também provar a famosa carne de lhamo da região - sim, lhamo mesmo, masculino. Não se come a carne da fêmea! Eu estava enjoada desde cedo, então não quis provar - o R. e meu irmão provaram e gostaram, acharam a carne salgadinha e saborosa.



Tomando um chá de coca pra passar a tontura


Pézinho do R.


E foi isso. Ainda fizemos outras paradas por lugares lindos antes de chegar em São Pedro, mas eu só desci da van uma vez para respirar um ar fresco - nas outras fiquei esperando enquanto minha mãe, irmão e R. tiravam fotos lá fora. :)
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