Como foi ser ~teacher~ na Irlanda nesse verão?

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Pra quem lê o blog já deve ter visto um ou outro post onde comento sobre um emprego que consegui no verão: professora de inglês numa escola que tem como foco adolescentes europeus que vem estudar por curtos períodos de tempo aqui na Irlanda. Eu tô devendo vários posts sobre essa experiência e sobre os alunos de maneira geral também, eu sei. Mas é que em minha defesa, esse negócio de trabalhar de manhã, de tarde e ser dona-de-casa à noite não é nada legal. Nunca estive tão cansada e no fim de julho qualquer coisa me fazia chorar.

O que era pra ser só um contrato de 4 semanas dobrou e me pediram pra trabalhar em Agosto também. Por conta disso, continuei super ocupada mas tive uma folga pois já tinha férias programadas pra segunda semana do mês (Bristol, Cardiff, Kerry e Waterford - ainda contarei tudo por aqui!). Sendo assim, hoje foi meu último dia lá na escola, já que não poderei trabalhar semana que vem por outros motivos (que logo contarei aqui também!) - ui, essa Bárbara tá cheia de segredos!

A verdade é que voltar à sala de aula depois de mais de dois anos longe dela foi muito estranho. E gostoso. E overwhelming. Sempre dá aquele frio na barriga e depois de alguns dias você já se sente à vontade, mas estar num emprego novo, num lugar diferente, altera um pouco esse "sentir-se à vontade": você não conhece direito seus colegas de trabalho, seu chefe, os procedimentos da escola, a papelada, etc, etc, etc. Sabe quando você fica igual barata tonta meio perdida sem saber o que fazer? Pois é.

Passados os primeiros dias, comecei a me sentir um pouco mais segura e confortável, o que não significa inteiramente feliz: é complicado trabalhar com adolescentes. Muito complicado. E nesse caso, adolescentes que estão de férias da escola e vieram passar uma temporada com amigos longe dos pais "aprendendo inglês" - você acha MESMO que eles querem aprender inglês?


Você digita "teaching teenargers" e aparece isso no google. Aham, Cláudia, senta lá....

A cada semana tínhamos uma nova turma e isso teve boas e não tão boas implicações: boas porque pude conhecer mais gente de lugares diferentes e tive a oportunidade de dar aula pra alunos espanhóis, italianos, franceses, russos e alemães. Não tão boa porque essa coisa de mudar de turma toda semana não permite que criemos uma ligação com os alunos, que os conheçamos mais a fundo - uma das particularidades que mais gosto nessa profissão.

A grande maioria das turmas tinha o nível que variava entre A1 e B2 (saiba do que estou falando aqui), e eu acabei trabalhando, na maioria do tempo, com alunos do nível elementar, o que se provou ser um desafio muito grande, já que com alunos elementares brasileiros eu poderia recorrer ao português (ainda que as escolas de inglês no Brasil não gostem disso e vivam pregando o tal do Communicative Approach, metodologia que me parece um pouco inadequada em certos aspectos).

Aqui em Dublin, numa sala com, sei lá, 7 alunos franceses, 4 espanhóis e 1 italiano no nível A1, se fazer entendida, dar instruções de maneira clara e abusar de recursos físicos (mímicas, linguagem corporal, etc) e visuais (desenhar na lousa, mostrar imagens pelo projetor) deveria ser executado com primor. E inevitavelmente os alunos recorriam às suas línguas-mãe, já que estavam longe de ter language o suficiente pra se comunicar em inglês.

Nenhum dos alunos chegou a perguntar de onde eu era - com exceção de uma turma de C1. Eles eram em sua maioria italianos e russos (e alguns alemães também). Quando perguntaram de onde eu era, eu disse, olhando pros meus braços (que estão queimadíssimos do sol irlandês): "Well.... I'm clearly not Irish, right?". Tentaram adivinhar de onde eu era ("Spain!!!"), quando um aluno chutou Brasil. Coincidentemente ele já tinha ido pra terrinha várias vezes, já que tem família por lá. O choque/surpresa dos alunos foi engraçado, já que acho que eles não esperavam ouvir que a professora era brasileira.

De forma geral, foi muito estar back in the game, sabe? Ser professora é o que sei fazer de melhor e poder exercer essa função aqui na Irlanda foi inesperado mas também muito bem-vindo, principalmente porque tenho planos maiores pra minha vida irlandesa e ter essa experiência no currículo (e referência, o que conta muito aqui!) serão fundamentais para tal.

ps.: calma que ainda vai ter post sobre alunos brasileiros vs europeus!
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