Bucareste, a cidade mais parisiense que já conheci

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Confesso que não sabia muito o que esperar da capital da Romênia: seria uma cidade do leste europeu um pouco menos "westernized"? Seria feia? Suja? Com muitos ciganos? Seria parecida com Bratislava? Teria um pouco de Budapeste? Inevitável pensar em coisas meio negativas porque eu realmente sabia quase nada sobre o país.

Tirando o clichê de Drácula e ciganos à parte, o que eu sabia que a Romênia era linda. Há muitos anos, quando eu tava na minha fase de pesquisa para vir pra Irlanda, acabei indo parar num blog de uma menina chamada Viviane. Ela viajava muito e foi pra Romênia algumas vezes, em diferentes épocas, e lembro de ter ficado maravilhada com aquelas fotos, aquela paisagem. Então em algum lugar da minha cabeça eu sabia que ia ver coisas bonitas nesse país, e foi isso mesmo!

Bucareste era conhecida como a Paris do leste e nos seus primeiros minutos na cidade você já entende o porquê - até Arco do Triunfo os caras tem! A verdade é que a arquitetura é muito, muito, mas muito parecida com a da capital francesa, mesmo. Então apesar de você ver algumas coisas meio monstronas, a parte do centro antigo parece uma réplica de Paris - inevitável não querer fotografar tudo e andar por cada ruela da região.

bucareste romenia inverno


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Mas o mais legal em Bucareste foi ter feito um walking tour. Nós encontramos um na internet e no domingo aparecemos lá na praça Unirii. Aliás, essa praça é lindíssima e o guia contou que a avenida, ou melhor, o boulevard onde a praça se encontra é o maior e mais largo do mundo. Coisas de ditadores com mania de grandeza - Nicolae Ceaușescu queria que a cidade tivesse tudo tipo "o maior do mundo", sabe? Então mandou destruir casas e igrejas na região pra construir o tal boulevard.

E não só isso: o prédio do parlamento romeno em Bucareste é o segundo maior prédio administrativo do mundo (após o Pentágono), com uma altura de 84 metros - além de levar o título de prédio mais pesado do mundo também!

O projeto do ditador era de que o prédio e arredores fossem uma réplica da capital da Coréia do Norte. Por conta do seu tamanho e grandiosidade, muitos mosteiros, casas, fábricas e negócios foram demolidos - aliás, 7km² foram destruídos e mais de 40 mil pessoas tiveram que se relocar. Entre 20 e 100 mil pessoas trabalharam em sua construção noite e dia, e dizem que milhares morreram durante o processo.

Ceaușescu queria um prédio monumental mesmo, então lá dentro você encontra não só o Senado e Câmara dos Deputados, mas também museus, centro de conferências internacional... e mesmo assim, 70% do prédio encontra-se vazio. VAZIO! Só o custo de eletricidade nesse lugar passa de 6 milhões de dólares por ano, acredite se quiser.

Mas não fomos visitar esse predião não. Primeiro porque tinha muita neblina na cidade e mal dava pra ver prédios, segundo que pra você entrar lá, tem que ligar e reservar antes - não fazem online. A gente tinha até colocado na lista de ir pedir pro pessoal no nosso hotel ligar e marcar pra gente, mas acabamos esquecendo.

Outra história bizarra é de que nos anos 80, com o ditador querendo destruir tudo e remodelar a cidade, as igrejas da cidade quase foram pras cucuias. Ele não queria que as pessoas lembrassem de suas raízes e tradições, e mandou derrubar tudo. Mas um grupo de pessoas tentou convencê-lo de que destruir não seria necessário - e se somente escondessem as igrejas do público? Foi aí que o engenheiro Eugen Iordachescu entrou na história e descobriu uma maneira de solucionar o problema: mover os prédios inteiros. Como? Os arrastando por trilhos de trem.

Fonte

É surreal pensar que conseguiram mover toneladas assim, sobre trilhos de trem instalados na cidade. Nem mesmo vendo as fotos dá pra acreditar! Diz a lenda que o Ceaușescu só topou essa proposta porque queria provar pros caras que ia dar errado. Que bom que ele estava errado, né?

No walking tour também passamos pelo Convento de Stavropoleos, Pousada de Manuc, lugares importantes para a revolução (o ditador caiu em 1989) e a Victory Boulevard. Na verdade, em termos geográficos o tour se resume à um pedacinho pequeno da cidade mesmo, mas a qualidade é excelente - saímos querendo saber muito mais sobre o povo romeno, a época da ditadura, revolução, etc.


bucareste romenia inverno

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Após o tour fomos almoçar num lugar recomendado pelo guia e comi um dos pratos mais típicos do país: mamaliga e sarmale. Mamaliga nada mais é do que uma polenta, porém servida com sour cream - SALIVANDO SÓ DE PENSAR. Sarmale são rolinhos de carne moída enrolados em repolho. Não sou a maior fã de repolho não, mas cara, que comida gostosa!

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À tarde resolvemos passear pelo Dimitrie Gusti National Village Museum, um museu no estilo desse aqui que visitamos na Noruega e desse aqui na Irlanda. Basicamente, trata-se de um museu/parque que traz modelos de casas e vilas romenas através dos séculos. O museu abriga mais de 200 casas autênticas trazidas de várias partes do país. É bem legal, e como fomos no inverno, tava super vazio. Conseguimos andar, rir, tirar foto, conversar, sem precisar disputar espaço com ninguém. Não que no verão deva ser mega cheio - afinal, não imagino as pessoas se estapeando pra ver um museu de casas rurais a céu aberto na época do ano em que você pode ir pra Espanha, Itália e coisa e tal, massss...



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Nos surpreendemos com Bucareste e com a Romênia de modo geral e recomendo a visita se você achar passagens baratas - a gente olhou passagens em diversas ocasiões e pelo menos saindo de Dublin tava sempre muito caro, mas como conseguimos comprar numa promoção da Ryanair, valeu a pena, pois gastamos 40 e poucos euros cada para ida e volta junto.

Agora, a melhor parte é que o país é barato mesmo, talvez o mais barato que eu já tenha visitado. A moeda lá é o Leu, e 1 euro é mais ou menos 5 leis. E fora essa conversão vantajosa pra gente, pesa o fato de que as coisas lá são baratas mesmo. Por exemplo: numa padariazinha de esquina compramos dois croissants, duas tortinhas (bem grandes, tipo um follhado, sabe?), dois chocolates quentes e deu 14 lei - uns 3 euros! Gente, com 3 euros você não compra nem UM chocolate quente em Dublin.

Além disso, usamos uma dica que um colega romeno da minha amiga Carol deu pra ela: não pegamos táxi nenhum na cidade (nunca pegamos mesmo, mas parece que lá não é muito seguro) e usamos o Uber. Sempre esqueço da existência do Uber porque não tem aqui em Dublin, mas foi muito prático na Romênia porque fizemos vários rolês e não precisamos nos preocupar com transporte público, horários nem nada. Claro que ter usado ônibus e metrô teria sido ainda mais barato (do aeroporto até nosso hotel usamos ônibus tanto na ida como na volta), mas uma corrida de 10 a 15 minutos de Uber custar 10 lei foi muito atrativo - 2, 3 euros para NÓS DOIS? Compensa demais e tornou a viagem mais confortável, ainda mais no frio, já que o R. odeia passar frio (e eu felizona desejando até que nevasse, hahaha).
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