Um dia em Ouro Preto

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Já vou começar dizendo que bem... não chegamos passar um dia todo em Ouro Preto e que eu gostaria muito, muito de voltar. Minas é um dos meus estados brasileiros preferidos e as cidades históricas famosas por serem um ótimo destino turístico - e com razão!

Pegamos o ônibus na rodoviária de Ouro Preto e tivemos que lidar com um pequeno probleminha: pra viajar de ônibus no Brasil precisa apresentar documento e... R. não anda com o passaporte dando sopa, sabe? Tivemos que jogar a maior conversa no motorista no ônibus mas no fim deu tudo certo.

Em duas horas desembarcávamos na pequena rodoviária de Ouro Preto - e no segundo andar há uma sala com informações turísticas. A moça não só foi uma simpatia nos dando um mapa bacana, como presenteou o gringo com um livro sobre Ouro Preto em inglês. Assim mesmo, de graça, só porque ele era gringo. Brincadeira, viu?

ouro preto


ouro preto


Ouro Preto é uma cidade colonial  de 70 mil habitantes que impressiona demais por sua arquitetura. Eu já sabia que ia achar a cidade bonita, pois havia visto centenas de fotos, mas estar ali pessoalmente me causou um impacto muito maior. Não só no meu olhar, mas também nas minhas pernas. Cara, é muuuuita ladeira. Mas não é ladeira estilo Lisboa ou Salvador não, é pior. Muito foda!

A cidade histórica foi a primeira brasileira a ser considerada patrimônio histórico da UNESCO e o município já chegou a ser a região mais populosa da América Latina, com 40 mil pessoas em 1730 (informações retiradas da Wikipédia). Ouro Preto é obviamente famosa por suas pedras preciosas, principalmente à que dá nome à cidade. Foram mais de 800 toneladas de ouro retiradas das minas e enviadas à Portugal! Lembro de um tour que fiz em Porto, em Portugal, e dado um certo momento antes de entrarmos numa igreja, o guia, português, brincou: agora vocês vão entender o porquê dos brasileiros odiarem os portugueses... não foi pouco ouro que roubaram não!

A cidade é repleta de igrejas, mas não entramos em nenhuma. Também há diversos museus interessantes, que não visitamos. A verdade é que, como tínhamos pouco tempo, demos prioridade a andar pela cidade - principalmente da hora do almoço pra frente, quando encontramos uma amiga da Lê que é de Ouro Preto e foi nossa guia por algumas horas! E falando em almoço, aquele frango com quiabo e polenta tipicamente mineiros estava de lamber os beiços. Ai, Minas....




No entanto, no período da manhã, acabamos entrando numa que parecia uma fria... e que no final acabou sendo uma quentíssima! Explico: quando olhávamos uns itens artesanais numa feirinha, um cara nos abordou perguntando se já tínhamos ido conhecer uma mina de ouro.

Aquilo tava com cara de furada, principalmente quando o cara se ofereceu pra nos levar até lá sem cobrar nada já que ele trabalhava pra mina, mas resolvemos arriscar. Ele desceu as vielas nos contando histórias de Aleijadinho e também da origem de expressões da língua portuguesa como "fazer algo nas coxas" ou "de meia tigela".

Quando chegamos lá, pagamos a entrada, que se não me engano custou 25 reais e tivemos uma verdadeira aula de história por uma meia hora. O rapaz tinha alguns cartazes com dados sobre a atividade mineiradora na região de Ouro Preto e contou várias curiosidades sobre como os escravos faziam a retirada, limpeza e transporte do ouro de dentro para fora das minas. Eu como boa amante de história fiquei impressionada e interessada no assunto, lembrando que quando estudei isso na escola. Felizmente o português do R. está tão bom que ele conseguiu entender a explicação sem maiores problemas!

Algumas das coisas que o guia contou, por exemplo, é que com uns 6 anos de idade as crianças já trabalhavam nas minas, principalmente por causa de tamanho, já que conseguiriam entrar em túneis menores e cavar mais. Além disso, o escravo que trabalhava em minas era muito mais valioso do que outros escravos, apesar de sua estimativa de vida ser bem menor - muitos inclusive chegavam nos 20 anos cegos, por substâncias dentro das minas terem caído em seus olhos por tanto tempo. As condições de trabalho eram as piores possíveis pra quem trabalhava dentro das minas, já que era escuro, úmido, e os escravos mal tinham roupas para se proteger.



O guia também nos contou que os escravos davam seus jeitinhos de esconder um pouco do ouro nos buracos (o bolsões) dentro das minas. Como os responsáveis por averiguar e coletar os impostos não necessariamente entravam nas minas, era fácil dar uma enganada e guardar um pouco pra depois trocar por cachaça e tabaco aos domingos.

Depois disso pudemos entrar na mina (se eu soubesse que entraria numa mina de ouro naquele dia não teria ido com um vestido praticamente branco, mas todos saíram salvos!), andar lá dentro, e depois ainda subir em cima dela pra uma vista da cidade. O guia comentou que Ouro Preto é como um queijo suíço, totalmente furada por baixo por causa das minas. Não me lembro, mas parece que são mais de 200 minas só em Ouro Preto... louco, né?

Uma outra informação interessante é que os escravos não podiam entrar nas igrejas - portanto, havia algumas delas dedicadas somente aos negros, como a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos:

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E falando em igrejas... todas são lindíssimas! Esse estilo barroco/rococó é lindo de se ver, ainda mais depois de estar acostumada a ver tanta igreja de pedra cinza aqui na Irlanda.

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Igreja de São Francisco de Assis

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Igreja de Nossa Senhora do Carmo


Subimos uma ladeira monstruosa pra chegar no rodoviária no fim do dia, mas valeu o esforço. Ouro Preto é uma cidade deslumbrante, lindíssima, cheia de história e lugares lindos pra fotografar. Já falei pro R. que quero muito voltar lá ainda nessa vida e nós voltaremos!


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