Minha tese de mestrado

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Quando comecei o curso de MA TESOL (Master of Arts: Teaching English to Speakers of Other Languages), fiquei totalmente fascinada com os assuntos das aulas, as discussões, as leituras. Amo ser professora, mas também amo a parte teórica, o background, o que está por trás da sala de aula, sabe? Então escrever sobre algum assunto relacionado sempre me animou bastante.

Como logo no começo a minha professora veio comentar de uma possível bolsa de mestrado, fiquei com essa pulga atrás da orelha pensando no que eu poderia falar sobre, caso viesse a escrever a tal da tese.

Parte I: O tema

Eu vinha pensando em falar sobre o uso de L1 (a primeira língua do aluno) em sala de aula, principalmente depois que li um artigo que falava sobre o assunto (e não só fiz um trabalho a respeito, como acabei me apresentando em duas conferências sobre o tema). Na verdade, gostar desse assunto gosto há tempos, já que na minha própria pós-gradução no Brasil, acabei escrevendo sobre o uso de português no ensino de língua inglesa.

Aí que eu achei que não seria legal ser repetitiva e escrever sobre o meeeesmo assunto, mas não precisei pensar muito pra achar o meu tema. Na verdade, não poderia ter sido outro tema, afinal de contas, eu já falo dessas questões há tempos, mas principalmente depois que vim parar na Irlanda: professores não-nativos.


Parte II: O processo

Eu achava que escrever uma dissertação - ou no caso, uma minor thesis - seria algo muito desafiador, difícil mesmo. Achei que teria noites em claro, que choraria horrores, que sofreria... e bem, fácil não foi mesmo. São muitas e muitas horas dedicadas à isso: a descrição do semestre de acordo com o site da universidade diz 500 horas de trabalho, e deve ser isso mesmo. Em tese, você trabalha na sua tese (com o perdão do trocadilho) nos meses de maio, junho e julho e se dividir essas 500 horas vai descobrir que dá umas 40h semanais, ou seja, um trabalho em período integral.

No entanto, o pré-projeto começou em janeiro e portanto, venho fazendo leituras sobre o assunto desde o começo do ano. Além disso, a fase de chegar numa research question adequada é um saco, porque tudo que você pensa é muito grande, coisa que daria um doutorado, sabe? Então as professoras tentam nos guiar pra que a gente consiga chegar numa research question menor, mais específica.

Depois disso, começa de fato o trabalho. Você faz leituras de pesquisas parecidas que foram conduzidas na área e começa a desenvolver a sua pesquisa e recrutar participantes. No caso, o meu tema era sobre professores não-nativos no mercado de English Language Teaching em Dublin e entrevistei professores, além de ter tido também diretores de escola e alunos respondendo questionários pra mim.

O bom desse verão é que eu não estava trabalhando nos meses de maio e junho, o que me deu muito tempo pra fazer toda a minha literature review, estruturar minha tese, coletar dados, analisar dados, etc, etc. Em julho eu trabalhei praticamente o tempo todo, todo dia, mas como já tinha muita coisa pronta, não precisei passar noites em claro. O negócio foi usar todos os fins de semana disponíveis e algumas noites na semana, quando eu não tava morrendo de cansaço.

Parte III: A formatação

A parte final foi um pouco mais estressante. Até então eu tinha tido uma smooth ride, tava tudo indo bem e não havia tido grandes problemas. O negócio é que a reta final é sempre aquela adrenalina: tive que cortar muuuuitas palavras pois passei do limite (o recomendado era entre 12 e 15 mil palavras) e claro, fazer muitas releituras e correções. Meu R., como sempre, me ajudou demais nesse final, proofreading toda a minha tese e me ajudando com problemas que surgiram nos últimos dias. Sério, se não fosse por ele, eu teria me descabelado e surtado enormemente!!!

A verdade é que agora eu terei um certificado de mestre, mas bem que poderia também sair com um de Microsoft Word. Eu aprendi a fazer taaaanta coisa no Word que jamais imaginei. De pensar que eu já perdi tanto tempo fazendo umas coisas manuais nada a ver nesse programa, quando existem ferramentas incríveis nele. Mas claro, tive que googlar muito, errar muito, perguntar muito pro R. Mas foi. Se precisar de mim pra fazer qualquer coisa no Word, eu sei fazer!

Quer dizer... nos 45º do segundo tempo, quando eu salvei meu arquivo em pdf pra poder imprimi-lo direitinho, o arquivo pdf vinha toooodo desconfigurado. Foi um sofrimento pra tentar arrumar, e de novo, se não fosse o R. pra me salvar, não sei o que teria acontecido.

Parte IV: A entrega

Eu tinha me programado pra entregar a tese um dia antes do prazo final, justamente pensando que, caso desse algo errado, pelo menos eu teria mais um dia pra correr atrás, porque eu sei bem da existência da Lei de Murphy. E sim, deu errado. Como eu disse, a formatação na hora de passar o arquivo pra pdf tava toda fodida e foram hooooras pra arrumar. Além disso, ainda encontramos erros no tamanho de tabelas e numeração de página quase meia-noite do dia anterior.

Na quarta-feira, dia 3, trabalhei de manhã e fui direto pra UCD pra imprimir tudo e encadernar lá mesmo - no caso, pra fazer uma soft bound copy, que é aquela encadernação de capa molinha mesmo, sem o espiral.

Duas cópias impressas e encadernadas depois, assinei o termo de entrega e deixei tudo na recepção do prédio de Language Centre, além de ter enviado também uma cópia eletrônica pra minha orientadora. Confesso que achei que me sentiria mais leve e feliz depois de ter entregue tudo, mas ainda fiquei agoniada, cansada, foi uma mistura de sentimentos.



Cheguei em casa nesse dia sem saber nem o que fazer com o "tempo livre"!

Agora é esperar o resultado. Uns colegas me disseram que no fim desse mês já teremos as notas e em novembro é a formatura (e tem que usar aquelas roupas esquisitas, chapéu e tudo!). Eu mal posso esperar. Foi um ano muito difícil e trabalhei muito nesse curso. Aprendi demais, mas me cansei, sofri um pouco e passei horas e horas e horas fazendo trabalhos. Em todo caso, nem terei muito tempo de descansar agora pois já tenho mais um projeto encaminhado: na segunda-feira que vem começo um curso pra professores de inglês que será em período integral e durará um mês. Me segura, Brasil!
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