Primeiras impressões: Laos

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Eu não sabia mesmo o que esperar do Laos, e nem sabia nada sobre o país até começarmos o planejamento dessa viagem. Mas o R. já tinha ouvido falar, sabia até que Luang Prabang era um destino procurado, talvez até mais do que a capital Vientiane. E como o país tá ali exprimido entre a Tailândia e o Vietnã, dois países que com certeza visitaríamos na Ásia, incluímos Laos no roteiro.

Mas pelo menos os vôos não foram nada baratos não! Pra chegar até lá gastamos 142 dólares (Air Asia) num voo saindo de Bangkok e pagamos mais 230 (Lao Airlines) para chegar no Vietnã. Para vias de comparação, o voo de Singapura para Phuket custou 112 e o de Yangon para Bangkok, 107 dólares - isso eu falo valor total, ou seja, os dois bilhetes + uma mala de 20kg despachada.

Tá, mas incluímos Laos na parada. E pensamos muito se ficaríamos uns dias na capital antes de ir de fato pra Luang Prabang, mas de acordo com nossas pesquisas, LP teria uma vibe mais laosiana, mais autêntica. Então pulamos a capital e fomos direto pra lá: não nos arrependemos nem um pouco!



O Laos, ou melhor, República Socialista do Laos, é um país com quase 7 milhões de habitantes que fica entre os já citados Tailândia e Vietnã, mas também fazendo fronteira com Myanmar, China e Camboja. A moeda lá é o kip e a língua oficial o laosiano, mas o francês também é reconhecido - afinal de contas, a França dominou aquela região (chamada Indochina na época) por aproximadamente 100 anos!

E falando em França, a verdade é que o Laos nunca foi a galinha dos ovos de ouro deles - sempre foi a Tailândia. Durante a Segunda Guerra Mundial, não só a França ocupava o território do país, mas também japoneses, tailandeses e chineses. Em 1945 um grupo nacionalista conseguiu declarar Laos como independente com sua capital sendo Luang Prabang, mas os japoneses se meteram na situação e acabou que o Laos deixou de fazer parte da Indochina francesa. Resumo da história: quando o Japão se rendeu ao fim da guerra, uns nacionalistas aproveitaram a deixa e declaram de vez a independência - que foi barrada pelos franceses!

Décadas depois e muitas guerras, conflitos, rebeliões (and a Guerra do Vietnã, do qual falaremos mais tarde), o Laos se tornou monarquia e finalmente um país cujo partido principal, aliás, único, é o
socialista.

O resultado dessa ocupação na França é que hoje o Laos, mas principalmente as cidades de Vientiane e Luang Prabang, tem uma influência francesa muito forte, seja na arquitetura, língua, e principalmente culinária. Nós comemos MUITO BEM no Laos. E nada de arroz, noodles, curry, essas coisas que eu pessoalmente já tava meio enjoada. Comemos comidas deliciosas, bem temperadas, pratos bem apresentados... uma linda mistura de culinária francesa com culinária local. Fora que há zilhões de cafés e restaurantes super badaladinhos por lá, umas padarias (afff, depois de semanas na Ásia, aquele croissant bem francês tava de lamber os dedos), uns lugares tão hispsters que a gente se sentia mais em Dublin do que qualquer coisa no momento que entrava num desses cafés, rs.

Um dos pratos maravilhosos que comemos por lá: algas marinhas crocantes!


No total nós ficamos três noites em Luang Prabang, o que foi mais do que suficiente pra conhecer a cidade, que é pequena, mas também para fazer dois passeios pra fora: um passeio de barco para as Pak Ou Caves e um de van para o conjunto de cachoeiras Kuang Si.

Ainda sobre o Laos, quero muito falar da relação direta que este teve na Guerra do Vietnã e de como esse país sofreu e sofre as consequências dessa barbárie até hoje: o Laos é o país mais bombardeado per capita no mundo! Inúmeras bombas foram derrubadas sobre esse território e infelizmente, outro número inestimável das mesmas ainda não explodiu - o que significa que as pessoas lidam com explosões - em determinadas partes do país - em seu dia-a-dia. É uma parte muito triste da história e presente do Laos, e do qual eu falarei mais quando contar do museu que visitamos em Luang Prabang.

Por fim, os laosianos são um povo muito gentil, tímido e educado. Fomos pra lá saindo da Tailândia, onde éramos tratados apenas como mais um turista, pra sermos bem atendidos, bem tratados, e recebermos sempre olharmos curiosos e sorrisos acanhados. Um povo encantador, que felizmente ainda não foi "estragado" pelo turismo massivo que acontece no sudeste asiático. Porque o Laos recebe sim muitos turistas - principalmente franceses - mas de modo geral, ainda está bem baixo na lista de países mais visitados na região.




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