Show do U2 em Dublin

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Ir num show do U2 nunca foi um item a ser riscado da minha bucketlist porque eu nunca fui grande fã de shows de qualquer maneira. A verdade é que nunca me considerei fã da banda, apesar de ter crescido ouvindo suas músicas graças ao meu pai.

Mas o que é fã anyway? Cresci ouvindo U2, passei a adolescência baixando outros álbuns da banda e minha vida adulta toda sempre teve U2 como trilha sonora - seja no dia-a-dia, seja numa festa ou até usando músicas deles em aula, não tinha como fugir.

Desde que vim pra Irlanda, no entanto, uma chama em mim se acendeu - não seria uma oportunidade única ver a banda tocando em casa? Pois é. Mas eu tava tão ocupada conhecendo a Irlanda, me adaptando, viajando, que nunca parei pra ver agenda de shows de ninguém, a não ser da Laura Pausini, claro! hahaha

Então no começo do ano, quando o U2 anunciou que faria uma turnê de comemoração aos 30 anos de lançamento do álbum Joshua Tree, meu coração bateu mais forte. R., apesar de não ser super fã da banda, também gosta muito de algumas músicas e sabia que eu ficaria muito feliz em ver os caras tocando em Dublin. E la vai o R. tentar comprar o ingresso na Ticketmaster, que obviamente esgotou em 2 minutos ou sei lá o que.

show u2 dublin croke park 2017




No calor do momento, R. comprou os ingressos num site de revenda - e que custaram o dobro do preço, mas olha, valeu cada centavo.

Primeiro porque é muito louco pensar que eu tava indo num show de comemoração de um álbum lançado no ano em que eu nasci. Não é meio doido isso? Segundo que a banda de abertura era nada mais nada menos que Noel Gallagher's High Flying Birds, banda do vocalista do Oasis. E eu gosto tanto de Oasis como gosto de U2, então foi um pouco de pague 1 leve 2, sabe?

Chegamos no Croke Park cedo e tava uma atmosfera deliciosa no estádio, todo mundo parecendo super feliz e empolgado - e eu numa mistura de ansiedade com emoção, porque foi inevitável pensar no meu pai.



Meu pai pode ter tido os problemas que teve e nosso relacionamento no fim pode não ter sido maravilhoso, mas essa coisa de ouvir rock, de gostar de música, isso é coisa do meu pai mesmo. Quantos e quantos sábados não acordei ao som de Pride ou Sunday Bloody Sunday? Inúmeros. Quantas e quantas vezes meu pai não me explicou de o U2 era uma banda irlandesa, que U2 era um nome de avião de guerra (ou algo assim...), etc, etc? Inúmeras! Então eu tava no Croke Park pensando que tava cumprindo uma missão pelo meu pai - que não esta mais nessa Terra.

E após o Oasis Noel Gallagher terminar o show, algumas músicas começaram a ser tocadas nos alto-falantes do estádio, mas nada demais. Até que uma delas em particular me chamou a atenção. Tratava-se de Hole of the Moon, música da banda irlandesa The Waterboys. Eu já conhecia essa música e não sabia que ela era irlandesa - talvez por isso eu tenha ficado surpresa que todo mundo levantou e começou a cantar loucamente. E ai, minha gente, Larry entra com suas baquetas. Assim, sem alarde, sem efeito especial, sem nada mesmo. Ele entrou quando a música ainda tava tocando, sentou na bateria e a música parou. E numa fração de segundo a introdução clássica de Sunday Bloody Sunday deu o ar da graça através das batidas de Larry na bateria. E não precisou nem o The Edge entrar com os primeiros acordes na guitarra - eu já tava chorando compulsivamente. O U2, Dublin, meu pai, a maior banda do mundo, a cidade onde escolhi viver, minhas memórias de infância, tudo se misturou e só consegui voltar a respirar quando Bono cantou os primeiros versos.

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Esse começo de show foi simplesmente arrebatador. Ao fim de Sunday Bloody Sunday já emendaram New Year's Day, Bad e Pride (In the Name of Love).

Honestamente, pra mim até ali já tinha valido a pena. Mesmo. Só que eles mal haviam começado - afinal de contas, foi após Pride que a banda começou a de fato tocar a tracklist do álbum Joshua Tree - de cabo a rabo.

Então a clássica Where the Streets Have No Name abriu essa parte do show, que foi quando começaram a utilizar o telão também. O telão era gigantesco e trazia imagens belíssimas - além de uns efeitos especiais feitos ao vivo que eram incríveis. Sabe o snapchat e seus filtros, que aplicam o efeito em tempo real? Era mais ou menos isso. Fora que no meio da música surgiram uns aviões por trás do palco fazendo fumaça nas cores da bandeira irlandesa, foi surpreendente e lindo, surreal! Depois entrou I Still Haven't Found What I'm Looking For - e abri o berreiro de novo - seguida de With or Without You e Bullet the Blue Sky.

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Aí o Bono deu uma conversadinha e explicou que eles iam pro lado B da fita (ah, fitas cassete, quem lembra?) e tocaram Running to Stand Still, Red Hill Mining Town, In God's Country, Trip Through Your Wires, One Tree Hill, Exit e Mothers of the Disappeared.

Os vídeos que eles projetavam no telão remetiam sempre aos Estados Unidos (inspiração pro álbum) e eram imagens lindas de verdade. Em algumas dessas músicas dei uma sentadinha pra descansar - não só as pernas como a garganta também, porque eu chorava e gritava e cantava tanto que a garganta começou a pedir socorro.

Na parte final do show eles tocaram outras músicas de seu repertório após o Joshua Tree, então foi lindo e emocionante vê-los cantando uma das minhas preferidas, Miss Sarajevo, seguida de Beautiful Day - que levou as pessoas à loucura! -, Elevation, Vertigo, Ultraviolet (Light My Way) - que fez uma homenagem linda às mulheres - e a clássica One. Essa parte foi tão elétrica quanto a primeira parte do show, e como já tava escuro, as luzes deram um toque especial, super psicodélico e tal.

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Entre conversas e um pouco de sermão (Bono é um preacher mesmo!), a banda termina com uma de suas últimas músicas, The Little Things That Give You Away. Foi um final lindo, com direito às pessoas usando o celular como luz ao invés do isqueiro e tudo. Foi lindo, emocionante, agitado, nostálgico e tudo o que você possa imaginar. Uma noite pra nunca mais esquecer!

ps.: Fiz uns snaps bem tosqueira no dia do show... fica pra posteridade:

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