Coordenadora de escola de verão: como foi?

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No momento em que escrevo esse post, são 4 horas da tarde. Estou esperando a turma que tem aulas até as 5pm acabar para que eu possa ir embora - um pouco mais cedo, já que oficialmente meu horário é as 6pm.

Mas essa semana - e semana antes deu viajar pra Grécia - foram extremamente atípicas na minha vida de assalariada de maneira geral. Isso porque sendo professora, eu sempre, sempre, sempre estive ocupada no trabalho. Os únicos momentos de folga eram entre os intervalos das aulas ou épocas mais calmas na escola mas ainda assim, nunca fiquei sem ter o que fazer. Tem prova pra corrigir, aula pra preparar, ligação pra pais, enfim, uma infinidade de coisas.

Sendo babá na Irlanda, mesma coisa: tinha ali uma meia horinha que as crianças dormiam ou brincavam sozinhas, mas de maneira geral, estava sempre ocupada.

Quando comecei a desempenhar esse papel de coordenadora de uma escola de verão, foi muito, muito avassalador. Fiquei assustada, cansada, chorava todo dia... fiquei perdida, sem saber o que fazer, como resolver, como perguntar. Mas foi indo, fui lidando com as situações, resolvendo os problemas e 5 semanas passaram e eu estava viva! Viva, com a escola de pé - e não somente isso, como tive que lidar com uma inspeção do ACELS. Sozinha, eu e os caras!



E aí que quando entramos na semana 6, que foi a primeira semana de agosto, as coisas deram uma acalmada muito grande. Muitos alunos foram embora, o numero de professores diminuiu e me vi finalmente respirando depois de mais um mês de muito estresse, medo e noites mal dormidas.

A viagem pra Grécia foi em muito boa hora porque era como celebrar o fim dessa fase - porém, tinha um porém. Minha chefe pediu para que após o meu retorno, eu voltasse pra escola pra fazer mais uma semana na coordenação. Eu topei, é claro, mas jurava que aquela fase se encerraria antes da viagem, o timing era perfeito. Além disso, essa minha última semana aqui, que seria a 8 semana dessa escola no verão, seria extremamente parada, vazia, tranquila... mas ok.

E cá estamos nós, na oitava semana. Só tem uma turma rolando no momento, então geralmente sou eu e a outra professora na sala - mas na maior parte do tempo, sou eu sozinha. A gerente da parte de acomodação e passeios também quase não fica mais por aqui, então tenho ficado bem solitária, e honestamente, com muito pouco pra fazer. Com apenas 10 alunos na escola, não há o que se fazer mesmo. Então já comecei a empacotar tudo que desempacotei quando cheguei: livros, materiais, CD players, papelada, arquivando tudo nas caixas que guardamos quando essa tralha toda foi mandada pelo head office.

(...)


Hoje é o último dia - e também o dia que os caras vem buscar tudo e entregarei a chave da sala de volta pro pessoal da manutenção do prédio, que é a NCI. E eu terei completado 7 semanas como coordenadora de uma das escolas de verão da escola onde trabalho atualmente. E olha, foi uma jornada muito difícil. Não vou mentir e dizer que foi recompensador, que me senti maravilhosa, porque não me senti porra nenhuma não. Foi muito mais frustração, cansaço e stress do que qualquer outra coisa, mas ter passado por tudo isso, ter chegado do outro lado da ponte, ah isso sem dúvida me engrandeceu como pessoa e profissional. O currículo fica bonito, e a experiência de ter exercido esse cargo me dá uma tranquilidade e orgulho também, claro. Afinal, vim pra Irlanda como estudante, vendi demonstração de iogurte em supermercado, pedi caridade de porta em porta, fui babá por mais de dois anos e pouco tempo depois de me inserir no mercado de English Language Teaching irlandês, consegui essa oportunidade. Brasileira, imigrante, num pais de língua inglesa sim senhor. Então a todos que duvidaram, um bom e sonoro CHUPA. hahaha



Agora o plano é voltar pra filial da escola que fica aberta o ano todo lá no centro pertinho da Grafton e dar as minhas boas e velhas aulas. Vou voltar cobrindo uns professores e umas aulas esporádicas e em setembro volto a ter turmas minhas - mal posso esperar pra ser professora novamente!

Mas eu não podia terminar esse post sem citar a pessoa mais importante nesse processo todo, o R. Se não fosse por ele, seu apoio, sua ajuda, sua compreensão e sua força de carregar a casa praticamente sozinho (compras, cozinhar, deixei de dividir muitas tarefas nessas últimas semanas), eu não teria conseguido. R. obrigada, obrigada, obrigada. Você sabe. <3
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