Sicília: pequenos vilarejos, praia e Agrigento

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Após um dia intenso, romântico e com uma surpresa inesperada no final, saímos de Ragusa com um aperto no coração e seguimos pra Agrigento. Essa seria nossa penúltima parada antes de seguirmos ao destino final: Ciminna, a cidade da vó do R. e onde aconteceria o encontro de família.

Tudo lindo, e faltou eu comentar três coisas importantes que foram acontecendo ao longo dessa viagem pela Sicília: 1) os sicilianos dirigem como loucos, e em muitos momentos vimos caminhões ultrapassando caminhões em manobras perigosíssimas - deu medo e não foi pouco; 2) consegui falar muito italiano por lá! Eu havia feito o meu exame na mesma semana e tava na vibe, e cara, além de conseguir entender praticamente 100% do que ouvia, pude falar, perguntar, pedir coisa em restaurante e me comunicar com locais, mas isso eu conto mais pra frente. Por fim, 3) as pessoas. A Sicília tem pessoas maravilhosas, e nunca me senti tão bem recebida na Itália, não tem comparação!

A viagem entre Ragusa e Agrigento levou umas 2 horas, e chegando lá, estacionamos o carro numa rua principal e fomos andando até a acomodação, que era um hotel mas parecia mais um B&B. Consegui ligar pro dono nos encontrar e entregar a chave, e nessa caminhada entre o carro e o local já senti que Agrigento seria muito mais cansativa por causa das ladeiras. Muita ladeira, escadaria... e aquele bafo de calor em pleno verão. Mas deu tudo certo, fizemos o check-in e já saímos pra explorar as ruelas e fiquei encantada... que lugar lindo!



Agrigento foi uma das principais cidade da Grécia Antiga e é praticamente um sítio arqueológico a céu aberto: templos, construções, igrejas, portais... é um prato cheio pro turismo. A cidade, no entanto, foi bastante bombardeada durante a 2ª guerra mundial.

O que fizemos na verdade foi perambular pela cidade, sem rumo mesmo. Subimos incontáveis escadarias, andamos pelas ruelas e nos perdemos naquele lugar incrível. Me senti como se tivesse voltado no tempo, foi maravilhoso! Apesar do calor que non mi piace niente, eu aproveitei muito!

Poderíamos também ter visitado um sítio arqueológico cheio de templos um tiquinho fora da cidade, mas como já tínhamos tão pouco tempo - e vimos templos na Grécia, resolvi deixar passar.









No outro dia de viagem, antes de seguirmos pra Ciminna, fizemos uma paradinha rápida num local chamado Scala dei Turchi (escada dos turcos). O lugar nada mais é do que um penhasco entre duas praias, mas o que o torna especial é que a rocha que forma o local é de coloração bem branca, então é realmente incrível de ver, nem parece de verdade. Por causa da cor, o sol reflete e cara, nem óculos escuros e boné estavam dando conta daquela luz toda. Mas valeu a pena conhecer, porque o lugar é lindo, digno de cartão-postal. O nome faz referência a possíveis piratas turcos e árabes que passavam pela região em suas rotas de modo a se protegerem de ataques.







Seguimos pra Ciminna, que fica uns 50km de distância da capital da Sicília, Palermo. E sabe cidade pequena, mas pequena meeeesmo? Essa é Ciminna. Pela descrição que o R. havia feito, eu imaginava que essa cidade seria como Cachoeirinha, interior de Pernambuco onde tenho família. E errada eu não estava. A vibe é tão igual, de cidade pequena, do interior, com o barzinho local, as lojas fechadas no domingo, os moradores sentados nas calçadas vendo a vida passar.

Aliás, nós tivemos um contato muito grande com locais por lá, porque antes de nos juntarmos à família pro jantar e encontros, o R. me levou pra ver o lugar, ficamos perambulando um tempão, e nesse tempo, sempre que víamos alguém sentado lá fora, geralmente uma pessoa já mais velhinha, falávamos boa tarde, e eles puxavam papo. Foi uma oportunidade maravilhosa de praticar meu italiano, conversamos com alguns senhorzinhos super simpáticos! Um deles contou sua história de vida, que morou muitos anos na Suíça e voltou pra cuidar dos pais, trabalhava numa fábrica onde os manuais eram tudo em alemão e ele não falava nada... foi muito, muito bom poder ter essa experiência de praticar a língua mas também de ter esse contato com as pessoas. E logo no começo eu já lançava que eu era a "fidanzata di R., nipote di Maria" e pronto, todo mundo sabia quem era a Maria que tinha ido morar na Irlanda há muitos anos!

Aliás, o tal jantar da família foi um super evento, tinha umas três mesonas enormes no restaurante só pra família, os irlandeses lá em peso e um monte de primos e sobrinhos sicilianos da vó do R. Só uma tia do R. fala italiano, então até ajudar na tradução simultânea ajudei um pouco, e digo que suei  porque entender gente mais velha né fácil não!







Fora isso, também participei de um outro evento: visitar o cemitério! Sempre que a vó do R. vai pra lá ela faz questão de visitar seus pais, irmãos, amigos e outros familiares ali enterrados. O cemitério lá é bem diferente, e ao invés das pessoas estarem debaixo da terra, elas ficam nuns gaveteiros gigantes, alguns super decorados. Certamente uma experiência diferente pra mim!

Em termos de acomodação, na verdade ficamos num bed&breakfast numa cidade vizinha, que dava uns 25 minutos de carro. A dona do B&B era uma irlandesa casada com um siciliano, e a senhora era fascinada por tartarugas. Na sala dela tinha uma estante com, não estou brincando, CENTENAS de esculturas de todos os tipos, tamanhos e cores de tartarugas. No jardim ela tinha um terreiro cercado cheio de tartarugas, e até pegamos umas pequeninhas na mão. Sem dúvida outra experiência inusitada!



No dia de vir embora levamos mais ou menos uma hora até chegar no aeroporto em Palermo, fomos cedo pra dar tempo de devolver o carro e ainda bem, porque sempre demora ou dá problema. Disseram que tínhamos arranhado o carro, aquela merda toda, tiramos fotos, brigamos, mas precisávamos seguir pro aeroporto (o estacionamento da locadora é um pouco afastado). No fim a própria moça disse que se tínhamos seguro poderíamos recorrer, recorremos, e eles devolveram o dinheiro que descontaram do cartão como "garantia".

No fim das contas, essa viagem pra Sicília foi super curta, mas intensa. Vi paisagens totalmente novas aos meus olhos, comi comidas deliciosas, estive num evento importante pra família do R., provei sorvete com pão, falei muito italiano, fiquei noiva e voltei pra Irlanda morrendo de vontade de colocar meus pés naquela terra mais vezes nessa vida. E eu hei de fazê-lo. Mi manca già la Sicilia!
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