Diário do casamento #1

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Rá! Você achou que eu não ia rebolar minha bunda falar sobre o casamento nesse humilde blog? Achou errado! Ué, mas a Bárbara, a feminista, a anti-casamento, a descoladinha, a que pensa que tem um blog sobre viagens e vida na Irlanda? Aham, ela mesma.

Que esse blog é um blog pessoal, disso nunca tive dúvida. E eu sinto muita vontade de falar sobre coisas pessoais - a verdade é que eu amo reler posts antigos, reviver momentos através dos meus relatos, me revoltar ou orgulhar de opiniões que eu tinha... é um exercício maravilhoso, que eu recomendo demais - seja num diário pessoal ou na internet mesmo.

Mas tá, tudo isso pra dizer que mais um capítulo importante na minha vida está se desenrolando, e eu simplesmente não poderia deixar passar: Barbarella e R. vão casar! E eu espero e desejo que esse seja o único casamento em minha vida. Logo, achei válido deixar registrado o que estou pensando dos preparativos, do processo, dos planos... vai ser muito legal ler tudo isso daqui a uns anos, décadas...

Fonte



Mas casamento pra quê, vocês já não moram juntos?


Nós ouvimos de muitas pessoas aos longos desses mais de seis anos juntos que seria mais fácil casar pra minha situação imigratória ser mais fácil. Também ouvimos que não havia necessidade, afinal de contas, já moramos juntos há anos e compartilhamos a vida como um casal "casado". Sim, tudo isso é verdade. Mas o fato é que eu tanto R. como eu não queríamos casar por casar, por um papel, um documento. Queríamos deixar rolar, dar tempo ao tempo. Casamento aqui na Irlanda é coisa séria (não tem separação de bens, por exemplo), e leva muitos anos pra você conseguir se separar e divorciar caso algo dê errado.

Não que você case já pensando que pode dar algo errado, mas precisamos ser realistas!

Então sim, já levamos uma vida de casados na prática, mas ter a relação oficializada aos olhos da lei, da família, dos amigos, e poder comemorar com todo mundo é uma oportunidade muito bacana!

Eu nunca tive o sonho de casar, vestido de princesa, branco, véu e tal. Nunca mesmo, juro! Sempre achei brega, exagerado. Sem contar as tradições que pra mim não fazem sentido, como casamento na igreja (que muitos, mesmo não-católicos, fazem), ou daminha de honra, ou plaquinhas tipo "game over" e coisas do gênero. Mas eu sou uma pessoa super romântica, gosto do amor. Então não vou mentir, a ideia de ter um dia "só nosso", com todos os amigos e familiares presentes, uma chance de declarar nosso amor um pro outro assim em público é bem tentadora.

Fonte - Uma das perguntas que tenho feito a mim mesma: que vestido eu gosto, meu deus? (resposta: nenhum, hahaha)


Já o R. sempre quis casar, formar família, ter uma esposa, uma casa. Então a gente já falava em casamento há um tempo, e em junho desse ano ele "proposed". Aqui na Irlanda, aliás acho que em vários países do hemisfério norte, há essa cultura do cara pedir a mulher em casamento, geralmente acompanhado de um anel de noivado. Talvez eu acredite que essa seja uma cultura um tiquinho machista - por quê o homem decide quando vai pedir? -, mas ao mesmo tempo, no nosso caso, já até tínhamos conversado de nos casarmos em 2020, então meio que decidimos juntos.

O primeiro obstáculo num casamento multicultural como nosso é: onde será a cerimônia, a festa? Teremos duas? Uma só? A família vai viajar? Isso foi muito difícil de pensar, organizar e decidir. No fim, optamos por casar na Irlanda, país de origem do noivo. Isso por dois motivos muito simples:

1) muitas pessoas importantes na família do R. não andam de avião;
2) eu tenho família pequena, então mais fácil a minha família se locomover do que a dele, que é bem maior.

Tendo isso em mente, começamos a pesquisar sobre casamentos na Irlanda. A indústria aqui é tão maluca quanto à indústria brasileira, guardadas as devidas proporções. É tudo muito caro, e pra época do ano que queríamos casar, ainda mais caro. No entanto, o preço de casar numa época onde minha família e amigos (90% deles sendo professores) seria esse: decidimos por julho de 2020.

The big 3s


Todo mundo nos aconselhou dizendo que as três coisas principais que deveríamos procurar eram: o local da festa (the venue), a banda e o fotógrafo.

O local da festa na Irlanda é geralmente num hotel - as pessoas se casam na igreja, e depois vão ao hotel, onde são recebidas com drinks. Após uma ou duas horas, todos são convidados a se sentarem para o jantar. Depois tem discurso. Depois corta o bolo. Depois tem banda tocando ao vivo. Depois tem DJ.

No nosso caso, cortamos a parte da igreja, já que eu sou ateia e o R., agnóstico. Não foi fácil "break the news" pra vó do R., a matriarca da família, uma siciliana obviamente muito católica. Na primeira vez que comentamos que não seria uma cerimônia religiosa, ela não gostou muito não. Mas na segunda vez que explicamos ela entendeu e não reclamou! (nem teria o direito, né? o casamento é nosso. mas cê sabe como é...)

Fizemos uma seleção de uns 10, 12 lugares, baseado em preço e localização. Visitamos uns 4 pessoalmente. Ficamos entre 2, e no fim ficamos com o primeiro local que visitamos mesmo. O primeiro dos big 3s feito!

Escolher o fotógrafo, no caso, fotógrafa, não foi tão difícil assim. Uma amiga que vai casar agora em novembro, a N. (que aliás conheci pelo blog!!!), me indicou o trabalho dessa fotógrafa e já me apaixonei! Li bastante sobre fotografia de casamento, pesquisamos com algumas outras pessoas, mas como essa fotógrafa tinha nossa data disponível, fechamos com ela.

A banda levou um tempo pra escolher - tem tanta, mas taaaanta banda de casamento na internet que você fica meio zonzo, elas são todas meio parecidas, sabe? Contatamos várias, e após ver alguns vídeos no youtube, selecionamos duas para ver ao vivo, em pubs. Foi complicado escolher, elas tinham um estilo diferente uma da outra porém ambas eram muito boas.

Então estamos assim: temos o local, banda, foto e vídeo.

O próximo grande projeto: o vestido. Mas essa história fica pro próximo post da série!
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