Hanói, a capital da loucura

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Hanói é uma cidade totalmente maluca. Caótica, suja, bagunçada, barulhenta. As ruas são estreitas, você tem que andar na rua, as calçadas estão tomadas de motos... é um negócio que nunca tínhamos visto antes. Mas justamente por ser tão único e diferente, ficamos maravilhados com aquele estilo de vida e sedentos por explorar mais, saber mais.

O clima por lá estava bem mais ameno do que em outras cidades pelo sudeste asiático, então até rolou um friozinho e chuva. Estávamos bem localizados e chegar nos museus e lugares que queríamos visitar não era difícil - fora que sempre podíamos pegar o táxi pelo aplicativo caso quiséssemos. Acho que essa vantagem de não ter que negociar tuk-tuk na rua foi o que fez nossa experiência ser muito mais sossegada, porque eu já tinha lido muitos relatos de gente que sofreu altos golpes e se estressou com isso por lá.

Tudo começou na verdade com a gente procurando uma agência pra fechar o passeio pra Halong Bay - já tínhamos lido que não valia fazer pela internet, que pessoalmente conseguia-se preços melhores e fomos pra uma agência indicada por uma amiga e deu super certo, mas falarei melhor disso no post sobre Halong Bay.





De lá, seguimos até a antiga prisão de Hỏa Lò (ou também chamada de Hilton), local usado por colonialistas franceses para presos políticos e depois usado pelo Vietnã do Norte para prender prisioneiros de guerra americanos durante a Guerra do Vietnã. Quando o Vietnã fazia parte da Indochina francesa, os franceses prendiam pessoas que lutavam pela independência - e esses prisioneiros eram frequentemente torturados e executados. Nos anos 50 a prisão chegou a ter mais de 2 mil pessoas vivendo em condições sub-humanas.




Durante o passeio todo você vai ouvindo mais informações no áudio guia e é sempre bem chocante o tipo de tortura que eles descrevem e como os presos políticos viviam ali. Confesso que a parte mais interessante pra nós foi, no entanto, sobre os POWs americanos (prisioners of war). Todo mundo sabe que prisioneiro de guerra não é bem tratado em lugar nenhum. Tortura, execução, confinamento são coisas comuns nesse tipo de lugar, muitos relatos provam que isso acontecia aos montes não só nessa prisão, mas em várias outros na parte norte do Vietnã.

O interessante, no entanto, é que a história muda dependendo do ponto de vista. Estamos acostumados com a perspectiva americana de como os vietnamitas fizeram X e Y, mas na prisão lá em Hanói, vimos vídeos mostrando prisioneiros americanos sendo bem tratados, jogando xadrez, fumando, dizendo que eram respeitados. Você acredita nisso? Me lembra os vídeos na época do nazismo mostrando judeus "saudáveis" e crianças felizes brincando nos campos de concentração como se aquele lugar não fosse o inferno. Estudei Goebbels, o cara que inventou essa merda midiática na faculdade e nunca me esqueço.

Nos anos 90 a prisão foi parcialmente demolida e transformada num museu e nem preciso dizer que vale muito a pena visitar um lugar desse!

Ainda em Hanói, também fomos atrás de uma rua por onde um trilho de trem passa super famosinha no Instagram. É uma rua surreal de estreita, e o trem passa lá duas vezes por dia, quando as pessoas colocam suas motos e coisas pra dentro pra dar espaço pro trem passar. Mas fora isso, todo mundo coloca mesinhas pra fora, crianças brincam nos trilhos, parece um outro mundo, de verdade.




Também visitamos o Hoam Kiem Lake, uma praça com um lago supertranquilo e que estava num clima super familiar no dia em que fomos, e o Vietnamese Women's Museum, que foi superinteressante mostrando diversos aspectos da cultura vietnamita do ponto de vista feminino, como tradições, casamento, vestimenta, mas também a luta e força dessas mulheres.









No entanto, o que mais curtimos em Hanói foi conhecer o Mausoléu do hômi - Ho Chi Minh. Ele é apelidado de Tio Ho pelos vietnamitas e é adorado, venerado e muito respeitado por lá. O cara teve uma vida pessoal super misteriosa, vários pseudônimos, e foi o maior líder comunista daquele país. Seu corpo foi embalsamado no melhor estilo Lenin e é possível visitá-lo, mas tem todo um lance de segurança.

Primeiro que quando nós chegamos lá, a fila tava enorme, dando voltas e voltas no complexo. Achamos que não ia dar pra entrar, porque eles fecham cedo, mas fomos um dos últimos a passar pela segurança. Tivemos que deixar bolsas, celular e câmera em lockers na entrada e ficar em fila indiana o tempo todo. Eu estava de óculos escuros e o segurança mandou eu tirar. Tem um lance de respeito muito, muito forte, então você tem que ficar na fila em silêncio. Eles vão liberando os grupos pra entrar pra ver o corpo aos poucos, mas você não para de andar, igual eles fazem pro público ver as jóias da coroa na Tower of London. Você vê o cara por uns poucos segundos enquanto vai seguindo e fila e pronto. É uma experiência bizarra, surreal e interessante, porque éramos praticamente um dos únicos gringos que vi por ali - chegam dezenas de ônibus cheios de vietnamitas do país todo prestar homenagem e ver o líder.





Essa visita ao mausoléu foi sem dúvida um dos pontos altos da viagem e ainda tivemos a chance de aprender mais sobre o Tio Ho e a história do Vietnã quando fomos pra Saigon - esse será o próximo post!
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