Caminhada debaixo de neve e KGB em Riga

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Acordamos cedo pro café (que aliás, foi maravilhoso!) e seguimos pra a St. Peter's Church, de onde saía o walking tour da cidade velha. Essa dica também peguei com minha amiga Bia e foi excelente, pois pudemos explorar vários cantinhos e ruas legais com o plus de ter informações interessantes contadas por um local!

Riga sempre foi de uma localização extremamente importante porque o rio Daugava, que tem sua nascente na Rússia e passa bela Bielo-Rússia e Letônia desemboca no golfo de Riga, que por sua vez tá na cara do mar báltico. Então como você pode imaginar, ter o domínio e acesso à essa região é bom para os negócios. Tanto é que se você leu meu post sobre o Museu da Ocupação da Letônia, consegue ter uma ideia das ocupações todas que aconteceram no local.

A população da cidade é de aproximadamente 640 mil pessoas, tornando Riga a maior cidade dos países bálticos - embora, segundo o wikipédia, sua população esteja em declínio por conta de emigração e baixa taxa de natalidade. A previsão é de que essa taxa caia em 50% até 2050 (!). Como também comentei no post anterior, 60% do país é letão, 25% russo e até também entram outras nacionalidades em escala menor, como ucranianos, poloneses e lituanos morando por lá.




Uma informação que tivemos no Museu da Ocupação é que  cerca de 370 mil pessoas foram embora da Letônia, com a maioria indo para o Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Irlanda (em torno de 20 mil) e até mesmo Brasil!

Mas ok, seguimos o tour passando por diversos prédios interessantes e ouvindo sobre a economia, paixões nacionais e história da Letônia - tudo isso debaixo de neve e sensação térmica de -12 graus!

Após o fim do tour, vimos uma hamburgueria chamada Easy Beer & Burger com uma cara ótima e resolvemos entrar. A comida estava absolutamente deliciosa, a trilha sonora do lugar era incrível e pra completar, a decoração super trendy. Mas o melhor é que no banheiro feminino havia um papel de parede preto e branco com vários grandes nomes da música - principalmente do rock - e adivinha quem tava lá representando? Pitty e Renato Russo! Morri!







A ideia era visitar o antigo prédio da KGB à tarde - ele fica numa esquina (e é conhecido como Corner House). Lá hoje funciona um museu, mas na época da URSS é onde interrogações aconteciam e onde as pessoas eram presas. A entrada custa custa 5 euros, mas pagamos 10 euros e conseguimos pegar o tour guiado que aconteceria logo em breve. Na verdade, tentamos agendar o tour guiado, assim como fizemos com o Museu da Ocupação, mas não tinha horários disponíveis no site - no entanto, parece que o jogo virou, não é mesmo? Conseguimos!

Esse tour estava beeeem cheio e confesso que foi um pouco desconfortável, porque o guia não falava muito alto e a acústica do lugar obviamente não ajuda - então ficava difícil ouvir tudo tudo tudo, mas foi um tour fantástico.

Pudemos entrar em celas, no calabouço, elevadores, sala do interrogatório, cozinha, enfim, vários lugares que dão calafrios por pensarmos no quanto as pessoas sofreram naqueles espaços. O prédio ficou muitos anos fechado após a queda da União Soviética porque as feridas ainda estavam muito abertas, e somente em 2014 abriu as portas para turistas, tornando-se um símbolo importante contra guerras, genocídio e opressão de massas.





Milhares e milhares de pessoas entravam por aquelas portas para "uma conversa amigável" e nunca mais eram vistas - ou ficavam presas, ou eram executadas, ou mandadas para GULAG (campos de concentração soviéticos). Não me lembro dos números especificamente, mas o guia comentou que apenas 5% das pessoas que entraram por aquelas portas sobrevieram, ele sendo um deles.

Foi uma aula de história e ficamos impressionados, tristes e gratos em termos a oportunidade de saber mais sobre o assunto, em poder refletir sobre essa época tão obscura na história mundial, em ter a oportunidade de ver tudo isso com os nossos olhos. E esse é um dos motivos pelos quais eu amo viajar: ver a história como ela aconteceu, aprender da fonte, ver, observar, ouvir, perguntar, refletir... esse conhecimento, essa vivência, ninguém tira de mim!


Por fim, só pra não terminar o post nessa vibe KGB, vou contar da vista maravilhosa que tivemos de Riga. Eu já tinha visto no blog da minha amiga (e também em outros), a dica de ter uma vista da cidade subindo no Skyline Bar do hotel Radisson Blu - melhor dica! O hotel fica a poucos minutos a pé do Monumento da Liberdade bem no centro da cidade e a vista é realmente incrível - é muito alto! O bar é super bonitinho, então aproveitamos pra beber alguma coisinha enquanto aproveitávamos a visão daquelas igrejas ortodoxas maravilhosas e os telhados das casas cobertos de neve - pra mim, não há paisagem que bata isso! Pode vir com praia paradisíaca, floresta encantada, montanha... nada é mais lindo que essa coisa invernal pra mim!







E aqui acabam os posts desses quatro dias entre Lituânia e Letônia, meus países de número 30 e 31! Recomendo demais a visita aos bálticos, principalmente pra quem gosta de história - é um prato cheio!


Tripé para a próxima foto


Resultado!



Sempre! Tava tão feliz!
Me achei meiga nessa foto!

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