Nível máximo do stress (ou como foi minha primeira semana como coordenadora)

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Hoje eu completo uma semana trabalhando como Centre Principal num dos centros de verão que a escola para qual trabalho abre todo ano. E como tem sido essa semana?

Bem, primeiro que quero dizer que ontem, meu 6º dia trabalhando nessa posição, foi o primeiro dia em que realmente sai do escritório no meu horário, o que já diz muita coisa, certo? A verdade é que a primeira semana foi um verdadeiro caos - parecia que tratores e caminhões passavam por cima de mim absolutamente todos os dias. Eu começava mais cedo, saia mais tarde, trabalhava de casa à noite, no fim de semana... foi tão estressante tão rapidamente que eu chegava em casa chorando absolutamente todos os dias.

Não foi fácil. Mesmo. Não só porque eu nunca havia desempenhado essa função, mas também porque não estou familiarizada com todos os processos da escola. Mas o problema maior mesmo, aquele que tirou meu sono - literalmente - foi a falta de professores.

Mas já que falei em sono, vamos falar sobre sono? Cara, que coisa estranha o nosso corpo. Eu estava cansada todo dia, morta, com dores no corpo e queria muito dormir, descansar. Mas não conseguia. Acordava várias vezes ao longo da noite e em umas duas ou três noites acordei lá para as 4 da manhã e não consegui mais dormir. Simplesmente não conseguia. Então além do estresse pelo que estava passando na escola, ficava com medo de ir dormir e não conseguir dormir.



Aliás, não foi só meu sono que ficou todo fodido não. Meu apetite ficou super bagunçado. E olha, vou falar uma coisa: eu sou muito boa de garfo. Como qualquer coisa. Qualquer hora. Em qualquer lugar. Mas estava tão cansada e estressada que nem comer eu queria comer. Eram umas garfadas e só. Tomava café da manhã empurrando. Ganhei uma caixa de Ferrero Rocher de uma amiga e não quis nem olhar para os chocolates por dias. Se eu, Bárbara, não queria comer nem comer chocolate amigo, e porque eu estava mal mesmo.

Mas voltando à falta de professores - aquela que tirou meu sono e fome. Eu não tinha o número suficiente de professores e fiquei totalmente perdida. Porque não é a minha função contratar professores, sabe? Mas esses centros de verão recebem tanto aluno - e a escola tem tantos centros de verão, que até consigo entender o porquê de não terem visto que os 5 professores contratados não seriam suficientes, eu precisaria de quase o dobro! No fim até entrar em sala precisei entrar na segunda, e foi uma loucura total, porque não dá para ter esse emprego administrativo e dar aula também. Impossível.

Falava com minha chefe D. (chefe nesse emprego de verão, a minha chefe mesmo quando sou professora é outra pessoa) todos os dias, várias vezes por dia. Ela estava tentando achar gente, entrevistando gente, foi uma loucura total. Mas depois de uns 4 dias, a coisa normalizou. Tínhamos os professores necessários e desde ontem até o fim dessa semana estou ''tranquila''. Entre aspas porque ainda preciso de professores pra segunda que vem, mas minha chefe me garantiu ontem que vai conseguir essas pessoas.

Estou meio infeliz, cansada, frustrada. Mas ao mesmo tempo, sei que duas semanas já foram, então 1/3 dessa loucura já está behind me. Semana que vem será uma loucura de novo, e a próxima semana também - chegaremos no número máximo de alunos na escola, em torno de 180, então sei que dias estressantes me esperam. No entanto, ter começado nesse furacão já me deixou num nível tão estressada que como o R. me disse, mais estressada do que isso não fico. E de fato, desde terça-feira tenho me acalmado e nem chorar mais chorei ao chegar em casa

Pode até parecer que estou sendo drama queen, fazendo tempestade em copo d'água, mas sair da zona de conforto é foda. Porque estar em sala de aula é algo que faço desde os 17 anos de idade - e esse ano farei 30! Então é o lugar onde me sinto segura, onde tenho controle, onde sei o que tenho que fazer. Trabalhar como principal e lidar com formação de turmas, teste de nível em massa, trabalhar sob pressão, lidar com group leader e pedidos estapafúrdios (faz séculos que não uso essa palavra, quero ver se o R. vai entender quando estiver lendo o blog - agora ele nem usa mais o tradutor!), ser responsável por diferentes professores, é tudo novo bem novo pra mim e eu levei um susto.

Mas outra coisa que tem me deixado chateada é poder ter esse insight da indústria de ELT aqui na Irlanda. Insight eu já tinha porque me juntei a um sindicato, tenho participado de grupos que lutam por direitos melhores pra professores, já andei nuns círculos profissionais com gente importante, então não estou alheia ao que acontece na Irlanda em termos de ensino de língua inglesa, mas agora estou muito mais perto vendo a coisa acontecer. E me entristece porque essa indústria é, como dizemos em inglês, uma cash cow. Gerando milhões, muita grana, trazendo milhares e milhares de alunos pra cá e enchendo os bolsos dos donos das escolas, enquanto os professores nem contrato fixo tem, muito menos férias pagas, sick leave, benefícios, etc. Mas isso é papo pra outro dia, claro.

Ainda tenho 4 semanas pela frente, mas estou um pouco menos medrosa - e talvez por essa experiência inicial ter sido tão ruim, não tenho medo do que vem pela frente. Já lidei com tanta situação que exigiu que eu engolisse meu choro e resolvesse o problema na hora que daqui pra frente o que vier é lucro.

Espero.

Sim. Preciso de açúcar, muito açúcar!!!!

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