2 anos de viagem com criança: o que aprendi

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Agora que minha filha está prestes a completar 2 anos de idade e tendo voltado da nossa viagem mais recente até a Africa do Sul agora em abril, venho pensando em todas as vezes que já viajamos com ela... e não foram poucas. E com todas essas viagens de ônibus, carro, trem e avião, acho que acumulei umas boas horas de trânsito e algumas dicas do que funcionou, do que não funcionou e de como tentar minimizar ao máximo o perrengue inevitável que é viajar com criança pequena!


Porque isso é fato: viajar com criança é perrengue. Algumas vezes mais, outras menos, mas algum nível de perrengue vai ter. E eu entendo, tem gente que prefere evitar porque é cansativo. Conheço pessoas que viajavam bastante antes de filhos e depois deram uma diminuída no ritmo; outros, que acho que é mais o meu caso, continuam viajando, ainda que com concessões.


A minha primeira conclusão é que é MUITO MAIS FÁCIL viajar com criança antes de um ano, ou pelo menos antes de começar a de fato andar. Enquanto bebês, é mais fácil de carregar no colo, segurar no avião, etc. Embora pareça que dê mais medo, bebê pequeno é mais maleável, vai com você pra qualquer canto, basta colocar no carrinho ou no canguru. Já crianças mais "móveis" não aguentam ficar muito paradas, exigem mais interação, e querem andar ou ficar de pé quando não é necessariamente possível. Pensando nas nossas viagens aqui, eu sofri mais no avião quando a P tava maior, mais pesada, mais crescida.





Claro que, por outro lado, quando a criança tá maiorzinha com a comunicação mais desenvolvida, fica menos difícil explicar as coisas e até conseguir um pouco de colaboração em alguns momentos. Mas acho que isso vai depender muito da criança também. Acredito que, como tudo na maternidade, vai muito de sorte. Simplesmente sorte! "Nossa, sua criança não fica com dor de ouvido no avião?" Não, e não foi por nada do que fiz, simplesmente foi assim. "Seu filho senta bonitinho no colo durante o voo?" Sorte também. Então posso afirmar que tenho uma filha que por enquanto viaja muito bem por pura e simples sorte.


A primeira viagem de avião dela foi aos 5 meses, quando fomos pro Brasil. Eu obviamente estava nervosa, mas olhando pra trás, foi bem mais fácil do que eu achava: ela não tirou as sonecas (na época isso era muito bagunçado), mas ficou boazinha mamando, brincando com a gente. Aliás, mamar no peito salvou nossa vida em muitos aspectos, e em viagens ajudou muito! Com ela pequena, a gente conseguia fazer o despache da cadeirinha do carro (bebê-conforto) e o carrinho levávamos até a porta do avião. Às vezes nos deixavam levar o carrinho dentro, já que o modelo do nosso dobra de forma a ficar do tamanho de uma mala de mão. Outras, tínhamos que deixar o carrinho na porta do avião.




Isso é um saco, porque na maior parte das vezes eles de fato entregam o carrinho na porta do avião na chegada, mas às vezes eles só devolvem no carrossel junto com as malas, e aí você fica preso tendo que carregar a criança da saída do avião até o carrossel. Por isso é essencial ter algum tipo de canguru - e usamos até hoje nessas situações.


Também importante lembrar que você pode reservar o bercinho no avião para o bebê até ele ter uns 10 kilos, mas já adianto que dificilmente a criança vai dormir no bercinho mesmo - até porque, se tiver turbulência ou o piloto acender o botão de afivelar os cintos, você tem que tirar o neném do bercinho!


A segunda viagem de avião foi aos 9 meses de dona risadinha, pro Omã. Outra jornada longa, com conexão, mas que no fim das contas deu certinho pra idade que ela tava: conseguimos conciliar os momentos de soneca (que agora já estavam mais estabelecidos) com as viagens de carro que nunca eram mais do que 1 a 2 horas e deu tudo certo. Ela já estava na introdução alimentar, e foi complicado encontrar opções nos restaurantes pra ela, mas aqui e ali ia dando certo e fizemos questão de levar muitas papinhas pra ter backup - ainda mais num país tão diferente.





Quando ela tinha 11 meses, fomos ao Brasil novamente pra comemorar o aniversário dela com minha família e amigos. Já foi um voo mais chatinho, me lembro de ter desejado que o avião caísse, hahaha, mas deu tudo certo. Ela ainda pôde usar o bercinho, e ainda pudemos levar o bebê-conforto pra poder usar táxi e uber facilmente em São Paulo.


Com 14 meses, passamos um fim-de-semana prolongado em Luxemburgo, nossa primeira viagem estilo "weekend getaway" que fazíamos tanto quando "solteiros", hahaha. Por um lado, foi mais fácil porque pudemos ir sem precisar do bebê-conforto, já que só usaríamos o transporte público. Além disso, aqui ela já estava frequentando a creche, então as sonecas tinham sido consolidadas em apenas uma ao longo do dia. E deu muito certo passear pelas ruas de paralelepípedo com ela no carrinho, pois ajudava no processo da soneca. 





Com 15 meses, outro fim-de-semana fora: dessa vez, pra encontrar amigos na Bélgica. Foi bem parecido com a viagem de Luxemburgo porque não precisamos de bebê-conforto e só nos preocupamos com o carrinho e as coisinhas mais básicas mesmo. Ela ainda não andava, só engatinhava, e o vôo, por ser curto, não foi tão difícil assim.


Quando ela tinha 17 meses, fomos pra Tunísia, Roma e Malta. Aqui já foi uma viagem mais trabalhosa, porque a P já andava e tinha menos paciência de ficar longas horas sentadas - no colo no avião ou no carro. Além disso, como sofremos golpe da companhia de carro e não curtimos muito a primeira parte da viagem, foi meio "sacal" ter que entreter a criança quando nós mesmos não estávamos curtindo, mas acontece! No fim, só acrescentou à lista de experiências de vida.






Com 18 meses, passamos um fim-de-semana prolongado na Polônia pra comemorar meu aniversário e foi super gostoso. Por um lado, deu tudo certo com os voos, trens, transporte público, etc. Por outro, falhamos um pouco em como vestimos a criança pras temperaturas baixíssimas. Mas, como tudo é oportunidade de aprender, já comprei roupas térmicas e segunda pele pro próximo inverno pra estarmos mais preparados! Outra coisa que aprendemos foi que quanto menos itens soltos você tiver com você, principalmente quando for pegar ônibus ou trem, melhor. Isso porque pra subir no ônibus ou trem você precisa tirar a criança do carrinho e dobrá-lo, e quando tem muita coisinha solta fica muito difícil carregar tudo. Então é melhor ter uma mini malinha, uma sacola, alguma coisa pra enfiar as miudezas dentro, assim você fica com menos itens pra carregar de uma vez.





Com 20 meses, fomos ao Brasil novamente, e dessa vez já foi bem diferente. Um porque ela tava bem maior pra ficar no colo no voo longo, e eu realmente desejei que o avião caísse tanto na ida quanto na volta. Segundo que aqui em casa já tínhamos substituído o bebê-conforto por outra cadeirinha. Só que essa cadeirinha não é portátil, e quebramos a cabeça pra pensar numa solução de viagem, porque em São Paulo pegamos muito uber e também viajaríamos de carro pro interior. No fim, encontramos um modelo da Maxi-Cosi que chama Nomad. Se trata de uma cadeirinha que não precisa daquela base iso-fix, mas prende com o próprio cinto do carro. É tão robusta quanto a que usamos no dia-a-dia em casa? Não. Porém já seria de grande serventia pois ela é relativamente leve, de fácil transporte e vai ser útil até ela ter uns 4 anos de idade!





Problema da cadeirinha resolvido, conseguimos despachá-la normalmente como um dos itens do bebê.


Por fim, com 23 meses fomos pra mais uma viagem longuíssima: África do Sul. Conectamos em Frankfurt, e por sorte, na ida tinha um assento sobrando ao nosso lado. Ajudou demais porque ela mal quis saber de dormir e aí ao menos tínhamos espaço pras coisas e pros chutes e braçadas. Já a volta foi sofriiiiida... primeiro porque nos sentaram separados e por sorte uma passageira topou trocar. Segundo porque não tinha assento sobrando, viemos apertadinhos apertadinhos, mas ao menos ela dormiu 7 de 11 horas de voo!


Daqui pra frente dona P terá seu próprio assento (e pagaremos por isso, socorro!), o que por um lado gera mais gasto, mas por outro, um pouco mais de conforto. Curiosa pra saber como será essa nova fase de viagens com ela maiorzinha na sua cadeira!


Outros adendos:


Sempre levamos, num saquinho, bucha e detergente pra lavar tanto a mamadeira quanto as coisinhas de comer dela (garrafa d'água, garfo, etc). Se estamos em hotel, lava na pia do hotel mesmo. Na época em que ainda esterilizávamos, levávamos um produto pra esterilizar na água. Agora queremos fazer a transição da mamadeira (ela toma um pouco de leite à noite) pra um copo normal, mas vou continuar levando a bucha porque ajuda bastante.


Na época de bebezinha também levávamos a fórmula daqui, porque era uma fórmula especial e não seria fácil achar em outros lugares. Assim como a fralda - já aconteceu de termos que comprar de outras marcas no Brasil e não ter dado nada certo. Então a gente leva bastante pra garantir!


Por fim, o bercinho. Temos um bercinho de viagem da BabyJorn maravilhoso porque ele cabe certinho dentro de uma mala grande que temos. Esse bercinho vem com um colchão que vai no chão, então não tem limite de peso, somente de tamanho. Acredito que ainda vamos continuar usando ele por uns anos porque a P não é muito grande. Acho que levamos esse bercinho em todas as viagens, menos nessa última pra África do Sul - decidimos dormir com ela entre nós já que as camas de hotel são grandes e geralmente ela dorme a noite inteira quando conosco. Deu super certo.


Ah, o canguru que usamos é um emprestado da ErgoBaby e também uso um lateral pra conseguir embarcar mais facilmente no avião - esse lateral deixa a criança mais solta, então não confio em usá-lo pra longas caminhadas, por exemplo.

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