Dirigindo na Irlanda #4

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A última vez que falei sobre dirigir na Irlanda foi agosto de 2018, e na ocasião, eu mencionei que fazia mais de um ano que eu não falava sobre o assunto. Well, well, well... parece que eu sou meio lerdinha em relação a isso, mas ok.

Na época eu estava fazendo aulas práticas e dirigindo aos fins de semana. Fiz também uns simulados, ou seja, paguei aulas com um professor pra me preparar melhor pra prova que aconteceu em novembro de 2018. Eu não passei na prova, mas fui muito melhor do que eu imaginava! É até engraçado pensar nisso, porque eu geralmente fico muito nervosa em situações de prova, apresentações importantes, muito mesmo. Fico tremendo, bochecha bem rosada, sangue quente nas veias. Mas por algum motivo inexplicável, eu fiquei muito tranquila na minha prova!

Você chega no centro de provas - na época, fiz em Finglas, e aguarda na sala de espera. Quando dá o horário que tava marcado pra você, te chamam. Você vai pra um escritório aberto com várias mesas, e a pessoa que vai te avaliar senta com você, confere seus documentos e faz umas perguntas teóricas, além de mostrar algumas placas que você tem explicar o que são. Aí você sai do local e vai em direção ao carro. Ele te pede pra abrir o capô, explicar onde fica o óleo, água, etc.

prova direção irlanda



Depois disso você entra no carro e ele não. Você liga o carro, mostra que suas setas estão funcionando, luz do freio, etc. Aí sim ele entra no carro e começa te dar as direções pra você dirigir. Tipo, ele vai falando: no fim da rua, vire à direita. Após a rotatória, pegue a primeira saída. Você sai dirigindo pela cidade, no meio do trânsito normal, por mais ou menos uns 40 minutos.

No meio desse trajeto ele te pára pra três manobras obrigatórias: 1) hill start (ver se você consegue sair com o carro numa subida); 2) reverse around the corner (ver se você consegue dar uma ré na esquina) e 3) turnabout (pra ver se você consegue mudar a direção do carro). Em uma dessas paradas ele vai te perguntar também sobre os seus hand signals, tipo, se a sua seta não estiver funcionando, como avisar o motorista de trás que você vai virar à direita, esquerda, etc.

Na época eu consegui fazer as manobras obrigatórias mas sabia que tinha errado uma ou outra coisinha, detalhes. Mesmo assim, não me abalei pelo instrutor ao meu lado e fui dirigindo. Quando tá acabando, você dirige de volta pro test centre, entra no escritório, senta com o cara. Ele te mostra sua pontuação, onde você errou, e dá o resultado. Na ocasião, não passei. Levei alguns pontos na questão de observação e antecipação, além de ter passado um farol amarelo, o que significa reprovação automática.

Chorei, mas não fiquei tão decepcionada. Sabia que era questão de prática e que eu ainda não tava preparada mesmo.

Corta pra 2019: nós compramos uma casa e nos mudamos pro outro lado da cidade. Fiquei uns 6 meses sem nem pegar no carro, mas foi chegando o verão e eu sabia que tinha que encarar o volante novamente. Retomei aos poucos, dirigindo pro supermercado, sempre na companhia do R. porque como aprendiz não podia pegar o carro sozinha. Aí o ano foi passando, o fim de ano foi uma super correria, e resolvi que seria o meu plano pra 2020 finalmente tirar essa habilitação.

Lá pra janeiro eu peguei uma recomendação de um professor super bem falado pra me atender na região onde moro agora, e fiz 3 aulas com ele. O cara era muito bom, além de gatíssimo. Sabe aqueles caras que te deixam constrangida de tão gatos? hahaha, sério.

Fiz as aulas, marquei minha prova, e no dia 20 de fevereiro de 2020 eu tava lá.

Assim como na primeira prova, eu fiquei bem tranquila. O começo foi super capenga, porque quando o instrutor me fez as perguntas teóricas e algumas técnicas, eu simplesmente não sabia responder. Sei que é praticamente impossível reprovar por não saber responder as perguntas, mas me deu uma abaladinha. Mesmo assim, me mantive focada e dirigi como se tivesse dirigindo minha vó de 87 anos no carro (dica da Tarsila!), bem tranquila, sem pressa. Ficava falando pra mim mesma na cabeça "taking my timeeee". Fiz todas as manobras, o carro não morreu, nada de anormal. Voltamos pro test centre e quando sentamos no escritório, a notícia:

Congratulations, Bárbara, you passed!!!




E mais do que isso, além de ter passado, eu passei praticamente sem nenhuma falha. Tive um ponto pelas perguntas técnicas, e mais um por "misleading signal". E só! Mandei muito, muito bem!

Eles te entregam um documento, e aí você marca um appointment no NDLS que é tipo o Detran daqui e fica super perto da minha casa, ufa. Com esse documento e seu passaporte + comprovante de residência + comprovante de residência legal aqui (o visto), você preenche uma ficha, paga a taxa e tira a foto. Em duas semanas o documento chegou na minha casa, e agora tenho a habilitação oficial por 10 anos. Em posse desse documento já posso dirigir sozinha, pegar qualquer estrada, etc. Trocamos a placa de L (learner driver) pra N (novice driver) no carro, e fim!

Fiquei muito feliz e orgulhosa de mim mesma, mas ainda tô longe de ser uma ótima motorista. Tenho plena noção de que muitas e muitas horas de prática são necessárias, e nessa história de covid-19 e pandemia mundial, só dirijo até o supermercado mesmo, rs. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos!


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