No post anterior eu contei sobre alguns passeios que fizemos nos primeiros dias na Cidade do Cabo. Nossas primeiras impressões foram ótimas e apesar de termos passado mal por causa de alguma coisa que comemos, correu tudo bem!
No dia mais cheio e incrível por lá, eu praticamente fiz uma versão mini (com pequenas modificações) do roteiro da Claudia: começando pela Muizenberg Beach, indo até a praia dos pinguins (Boulders Beach), fazenda de avestruz e até lá em baixo no Cabo da Boa Esperança. A ideia é que voltar subindo pelo lado esquerdo do mapa proporciona vistas melhores na volta e eu concordo!
As estradas na África do Sul - pelo menos por onde passamos - são incríveis, em excelentes condições. Em pouco tempo de estrada, chegamos na Muizenberg beach, praia famosa por conta das casinhas coloridas na areia. Esse é o considerado O point pra quem surfa e inclusive já foi considerado um lugar disputadíssimo de férias na região, mas o que me atraiu nesse passeio foi sem dúvida ver essas casinhas em pessoa!
Estacionamos ali perto, e como de costume por ali, vem um "flanelinha" oferecer pra cuidar do carro enquanto você sai - por isso é imprescindível ter dinheiro vivo, porque passamos por essa situação diversas vezes, principalmente na Cidade do Cabo. Caminhamos até a praia, e se no começo a pequena P não queria saber de colocar o pé na areia, uma vez que pisou e sentiu aquela textura nova, literalmente se jogou! Foi uma bagunça depois porque ela enfiou a mão na areia e depois passou na cara, cabelo, etc. Ventava bastante, mas foi bem agradável!
Aliás, tá aqui o link dos pontos que marcamos no mapa pra essa viagem!
Seguimos o roteiro até parar em Simon's Town pra almoçar. Há algumas opções com estacionamento fácil e ali fica muito próximo da praia onde se pode ver os pinguins! Eu tinha até anotado sobre possíveis estacionamentos e tal, mas a verdade é que se você coloca Boulder's Beach no mapa, conforme vai chegando já vê os flanelinhas indicando onde estacionar, o que acaba até ajudando. Pra esse passeio decidimos deixar o carrinho da criança no carro mesmo e a colocamos no canguru, o que foi a melhor coisa! Tem uma boa caminhada até a praia de fato, e alguns trechos tem passarela pra melhor acessibilidade, mas ficaria apertado com outros turistas.
A colônia de pinguins nessa região se estabeleceu nos anos 80. Aparentemente, de apenas dois pares de pinguins que procriaram em 1982, a colônia cresceu pra mais de 3 mil nos últimos anos. Além disso, foi proibida a pesca comercial de peixes com redes de arrasto na baía, o que aumentou a disponibilidade de sardinhas e anchovas, que fazem parte da dieta dos pinguins.
Eles são a coisa mais fofinha pessoalmente, e ainda pela passarela após a "entrada" principal já é possível avistar alguns descansando no mato. A atração principal mesmo fica após você passar pela recepção e de fato comprar os ingressos (não me lembro os valores agora, mas a Pepê não precisou pagar!), e descendo mais próximo até a praia em si. Não dá pra descer na areia, até por proteção dos pinguins mesmo, mas dá pra vê-los muito bem, a gente amou!
De lá, seguimos pra fazenda de avestruz Cape Point Ostrich Farm que fica no meio do caminho entre a praia dos pinguins e o Cabo da Boa Esperança. Eu já tinha me informado por email sobre como funcionava a visita, mas infelizmente chegamos num horário em que teríamos que esperar muito pelo tour interno onde dá pra ver os filhotes. Se estivéssemos só nós dois sem criança teríamos esperado, mas com criança tem que ter mais flexibilidade, né? Então compramos umas comidinhas (servidas numas taças de plástico coloridas) e pudemos ao menos alimentar os avestruzes. A fazenda tem também um restaurante onde você pode provar a própria carne do avestruz - nós pedimos um sanduíche e tava bem gostoso! Todo mundo curtiu esse passeio e a fazenda é muito linda!
E aí, finalmente para o grande finale, seguimos até o Cabo. Logo na entrada você já paga ingresso ainda no carro mesmo, é como se fosse um grande parque nacional. Queríamos ter subido no bondinho, eu já tinha feito toda a pesquisa, mas já era fim do dia e logo o parque fecharia. Optamos por focar no ponto principal mesmo, que é aquela placa icônica baphônica babilônica e apoteótica indicando as coordenadas do Cabo. Foi muito emocionante! Esse lugar foi descoberto em 1488 pelo navegador português Bartolomeu Dias.
Retirado da Wikipédia: Contam as crónicas da época que, como foi avistado depois de vários dias em que os marinheiros sofreram violentas tempestades (tormentas), aquele navegador lhe pôs o nome de cabo das Tormentas. Ao retornar, entretanto, com a notícia, o rei João II de Portugal mudou-lhe o nome porque, ao ser dobrado, mostrou a ligação entre o oceano Atlântico e o oceano Índico e prometia a tão desejada chegada à Índia. Chamou-lhe, por isso, cabo da Boa Esperança — o topónimo que se perpetuou.
Além da placa ser super linda, a vista do lugar é maravilhosa e dá pra subir a pé pra ver lá de cima. Não pareceu 100% seguro porque alguns degraus eram bem altos e alguns trechos nem degraus tinham direito, mas já que estávamos lá.... colocamos a P no canguru, que foi acoplado ao R., e subimos até a metade mais ou menos. Foi sensacional, eu me senti muito feliz em estar vivendo aquela aventura num continente ainda pouco explorado por nós, num lugar historicamente tão marcante e icônico, e ainda por cima com minha filha que na época ainda não tinha nem dois anos de idade. Foi legal demais mesmo!
Na descida ainda tivemos que improvisar um cantinho pra trocá-la no chão mesmo (essa criança pode dizer que já teve a fralda trocada em lugares incríveis pelo mundo!) e voltamos pro hotel direto, sem paradas. Foi mais ou menos uma hora e meia de viagem, e se não fosse o fim do dia e tal, teríamos ainda parado no caminho - no mapa que linkei aqui dá pra ver alguns pontos de interesse.
Se não tinha como ficar mais legal ainda, no dia seguinte, nosso último dia na Cidade do Cabo, resolvemos visitar finalmente o ponto mais icônico e famoso da cidade: a Table Mountain! Você consegue vê-la praticamente de qualquer lugar porque ela é enooorme, única e imponente, mas atenção: pra subir na montanha são outros quinhentos. Isso porque aparentemente é comum ela ficar encoberta e você não conseguir ter uma boa vista lá de cima. Tanto que, ao comprar o ingresso pra visita, você tem um "grace period" de alguns dias pra caso não consiga subir no dia programado.
O site da atração vai indicando ao longo do dia como está o clima, e compramos o ingresso online no mesmo dia, se não me engano. Ao chegar no estacionamento você precisa pegar um ônibus shuttle que te leva mais ao alto, onde você faz a fila pra poder pegar o bondinho. Por favor, pague mais pelo fast pass porque é necessário. Nós fizemos isso e mesmo assim demoramos uma boa meia hora na fila debaixo de sol fortíssimo, foi meio sofrido.
O bondinho que sobe até o topo da montanha é enorme e tem o chão giratório, o que significa que não importa muito sua posição lá dentro, você vai ter uma boa vista em algum momento. É um passeio muito legal, mas lá em cima o sol é bem intenso e quase não há sombras, então tem que ir preparado!
Nesse mesmo dia, voltamos pro nosso apartamento pra dona P fazer a soneca, e enquanto isso eu fui dar uma voltinha no V&A Waterfront pra olhar umas roupas que tinham me chamado a atenção quando passamos lá no outro dia. Dessa vez, sozinha, consegui ver tudo com calma, provar e até trouxe duas peças de uma marca chamada Rush Resort. É de uma designer sul-africana que se mudou pra Londres e traz esses elementos de estampas de animais e muito colorido pras roupas, é tudo bem lindo!
À tarde, dirigimos poucos minutos até Signal Hill (no Google Maps tá marcado como Lion's Head Hide Parking) e de novo, sempre tem alguém que vai "cuidar" do seu carro se você der uma grana pra ele na volta. Levamos nosso canguru porque eu já tinha lido que essa trilha, num determinado momento, fica bem complicada com escadas naturais, escalar pedras, etc. Obviamente não daria pra fazer nada disso com uma criança de menos de 2 anos, mas que pelo menos pudéssemos curtir um pouco, né? E foi ótimo. De novo, segui todas as dicas da Claudia e valeu a pena demais. Essa trilha é incrível porque de fato, já do estacionamento você tem a recompensa de uma vista linda, e conforme vai subindo, as paisagens vão ficando ainda mais impressionantes. É ali que você se dá conta do quão absurdamente linda é a natureza dessa cidade! Fazer essa trilha no fim do dia foi ainda mais especial com aquela luz dourada do fim de tarde.
E assim nos despedimos da Cidade do Cabo, uma cidade belíssima, interessante e bem fácil de navegar. Eu gostei muito de todos os passeios que fizemos ali e não acho que perdemos nada por estarmos com uma criança pequena, pelo contrário. Embora seja necessário ter um carro, estacionar é fácil, o trânsito é bem ok e as ruas tranquilas de navegar com GPS.

