A Cidade do Cabo é a capital legislativa da África do Sul e também a segunda cidade mais populosa do país, com quase meio milhão de habitantes. Essa cidade ganhou seu nome através dos portugueses que chamavam a região de Cabo das Tormentas (inicialmente por conta da dificuldade com os navios na região), que depois foi rebatizado de Cabo da Boa Esperança.
Sabe aquela coisa de cidades-irmãs? Pois eu diria que se há duas cidades que são irmãs-gêmeas, essas seriam o Rio de Janeiro e a Cidade do Cabo - não somente pela beleza estonteante, mas pela geografia, mazelas, pessoas, etc. Estive no Rio em 2014 e lembro de ter amado a cidade e realmente ficado embasbacada por sua beleza, e acho que a Cidade do Cabo me surpreendeu ainda mais.
Nós chegamos já na hora do almoço, então aproveitamos o fim de tarde e fomos a pé até a famosa área V&A waterfront. Se trata do porto mais antigo em funcionamento no hemisfério sul que também abriga dezenas de lojas, restaurantes e espaços abertos pra apresentações. É realmente incrível. No dia em que fomos tinha um evento de música rolando num palco a céu aberto e todo mundo cantando com um cantor local chamado Vernon White. Também vimos um grupo de dança super animado enquanto o sol se punha, foi bem legal. A única coisa é que nesse primeiro dia R sofreu com intoxicação alimentar - que depois passou pra mim - mas por sorte isso não impediu a gente de curtir a cidade.
No nosso segundo dia, acordamos cedo e fomos de carro até o bairro Bo-kaap, famoso pelas casinhas coloridas. Pelas minhas pesquisas, parece que essas casas foram construídas para escravizados da Malásia e Indonésia, os chamados malaios do Cabo. Mas eu me enganei um pouco, porque tudo que você lê sobre essa região faz parecer que se trata de um bairro turístico quando não é bem assim. As pessoas vivem ali normalmente, as ruas não são fechadas pra pedestres, nada disso. Então embora sim, haja muitos turistas fazendo fotos naquelas casinhas coloridas lindas, tem que tomar cuidado com carros passando, respeitar as casas dos moradores, etc. A gente ia almoçar num lugar chamado Bokaap Deli que aparentemente serve um curry delicioso, mas como ainda era cedo pro almoço o menu era diferente. No fim, comemos alguma outra coisa e voltamos pro hotel/apartamento. Optamos por esse tipo de acomodação pra poder voltar na hora da soneca da P., e ajudava a gente a descansar também.
Pra tarde, eu tinha organizado uma sessão de fotos em Maden's Cove - um tour que vi naquele site Get your Guide. Tinha sido um preço bem razoável e eu tava muito empolgada porque o lugar parecia lindo. No dia, mais cedo, eu tinha mandado mensagem pra eles confirmando o local de encontro e me responderam até que rápido, mas disseram que o fotógrafo tinha tido um problema com o carro e estavam tentando resolver, porém não cancelaram. Como eles não me responderam mais e não falaram mais nada, decidimos ir pra lá de qualquer forma e pra surpresa de zero pessoas, tomamos um chá de sumiço. Fiquei muito chateada e pronta pra xingar muito em todas as redes possíveis, mas no fim, sou uma mulher preparada, né? Tinha levado meu tripé e assim fizemos umas fotos nós mesmos - tava um fim de tarde maravilhoso e ali deu pra ver que realmente deus tem seus lugares preferidos, hahaha.
(Ps: quando voltamos pra Dublin eu reclamei com a empresa e fui ressarcida, além de terem me dado um voucher pra usar no site Get your Guide que tem validade de anos. Também deixei reviews negativos em todos os lugares possíveis. Sei que imprevistos acontecem, mas custa avisar direito?)
Naquele mesmo dia, fomos jantar num restaurante perto do hotel e presenciamos um furto na rua, quando um cara que parecia morador de rua arrancou o colar de uma senhora que passava. Pior é que deu pra ver que ela tava atenta, segurando bem a bolsa, mas mesmo assim o oportunista atacou. Depois disso ela veio pra perto da gente pra atravessar a avenida e o R deu uns berros pro cara não chegar perto. A senhora (que era de uma outra região da África do Sul) ficou bem abalada, mas o hotel dela era ali pertinho e ela tava bem no geral, foi mais o susto mesmo.
Quis contar esse pequeno episódio porque quando você começa a pesquisar sobre a África do Sul de maneira geral encontra esse tipo de relato o tempo todo. Acho que pra nós brasileiros não é um choque e surpresa tão grandes ficar atento com o celular na mão, não dar bandeira no carro, não parar em lugar muito escuros, etc. Talvez pra estrangeiros menos acostumados a serem street smart valha redobrar os cuidados, mas ao mesmo tempo eu realmente não me senti em perigo em nenhum momento por lá.
Nesse dia mais tarde quem passou mal com a intoxicação fui eu, mas como o R. só tinha ficado doente um dia, eu me apeguei à esperança de só ficar mal um dia também e foi assim. Por sorte a pequena passou ilesa por essa, ufa!






