Diário do casamento #3

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Esse será um diário do casamento diferente, já que ele vai trazer uma pausa nessa série de posts aqui. Mas, como eu sempre digo, esse blog nada mais é do que uma espécie de máquina do tempo pra mim, e eu queria deixar registrado pra poder voltar no futuro e reler sobre essa fase na minha vida.

Estamos no começo de julho, e numa realidade paralela estaríamos na contagem regressiva pro nosso casamento civil no dia 10 e pra festa no dia 11. No entanto, por motivos de pandemia mundial, isso não vai estar acontecendo. Já choramos, já nos frustramos, já deixamos pra lá, mas a verdade é que não tem nada que poderíamos ter feito. Cancelamos, ou melhor, adiamos a festa e cerimônia do dia 11 há um tempo já, mas o casamento civil ainda estava pendente.

Não tinha um motivo especial pra termos escolhido o mês de julho - o único motivo foi bem prático: a minha família é composta de professores, e pra eles, férias só em julho ou janeiro. Logo, pra que eles pudessem vir sem problemas, o casamento teria que ser em um desses meses. 

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Nos nossos planos originais, faríamos o casamento civil num dia na presença da minha família e amigos do Brasil e a família imediata do R. (irmãs e seus maridos e filhos, irmão, mãe e pai). Minha mãe e irmão já conhecem a família do R., mas seria uma nova oportunidade pra que todos se vissem antes "do grande dia", e eu tinha até contratado um fotógrafo pra registrar esse dia também. Aí, no dia seguinte teríamos a festa mesmo, preparações, cerimônia, toda a família estendida do R, nossos amigos aqui na Irlanda e Europa (tínhamos gente vindo da Holanda, Itália, Reino Unido confirmados, e ainda tínhamos amigos que iam confirmar suas vindas do Canadá, EUA, Espanha e Portugal).

Tudo isso foi pro espaço com a pandemia, mas eu queria ter algo positivo nesse ano de 2020. Queria poder dizer "fuck you, corona!" e casar com o cara que eu amo. Assim, decidimos que nos casaríamos no civil, mesmo que só com duas testemunhas.

Dito isso, continuamos com o planejamento do dia: eu ia encomendar um bolinho, já tinha meu vestido do casamento civil pronto, o R. comprou uma camisa nova, arranjamos um laço bonito pra colocar no carro, uma amiga do instagram ia fazer um buquê pra mim... tudo pra tentar de alguma forma deixar o dia mais especial. Queríamos poder, no futuro, olhar pra trás e dizer: sim, tínhamos planos pra 2020, e mesmo com uma pandemia mundial dissemos foda-se e nos casamos. 

Só que no fim de junho recebemos uma ligação do cartório dizendo que infelizmente, por causa das medidas de segurança e restrições, não poderíamos seguir com o casamento civil. Até esse dia eu nem chorar tinha chorado, mas não deu pra segurar. Ficamos muito tristes, frustrados, e foi a gota d'água pra cancelar tudo pra esse ano e tentar novamente ano que vem.

Dias depois, o primeiro-ministro irlandês anunciou que relaxariam as medidas, e de acordo com o timeframe deles, nossa data entraria, ou seja, poderíamos casar no civil.

Mas assim, isso já foi depois da frustração, esperança, animação, preparação e decepção... não queríamos mais passar por isso. Já tínhamos decidido deixar tudo pra 2021, e assim o fizemos. Ligamos no cartório e adiamos tudo. Deu um alívio, e na verdade será até melhor no ano que vem pelo seguinte motivo: a data que queríamos pra 2020 não estava disponível no cartório em Dublin, e tivemos que marcar num cartório numa outra cidadezinha perto aqui de casa, mas fora de Dublin. O cartório lá é ok, mas o de Dublin é beeeem lindo. Agora, já que pudemos remarcar com um ano de antecedência, conseguimos nossa data no cartório do Grand Canal, então tenho certeza que renderá fotos lindas. 

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Agora, pro ano que vem, será assim: casamento civil numa sexta à tarde e a cerimônia/festa num domingo (não conseguimos o sábado como já tínhamos esse ano). Não sei se é ingenuidade minha, mas se as coisas estiverem melhores e minha família puder viajar do Brasil, será perfeito e conseguiremos manter o nosso plano original, mas com um ano de diferença!

No entanto, sei que tudo pode acontecer. Podemos ter nova onda da doença, podemos não ter vacina, e a possibilidade da minha família não poder vir, de termos distanciamento social, de não termos todo mundo como gostaríamos, é muito real. É uma possibilidade, e temos que estar preparados pra isso, mas pelo menos agora temos um ano pra isso, pra um plano B, pra nos acostumarmos com qualquer que seja a resolução - a verdade é que com corona ou não, do ano que vem não passa!

Só pra terminar o post de maneira positiva: pelo menos temos quase tudo contratado/resolvido pro ano que vem: vestidos, maquiadora, cabeleireiro, caderninho de votos, alianças, bolo, docinhos, fotógrafa, banda, cerimonialista, papelada, cinegrafista, etc, etc, etc. Ainda tem alguns detalhes que não foram decididos ou escolhidos, mas pelo menos podemos focar em outras coisas - quem sabe até numa lua-de-mel? :)
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