Tromso, Noruega - Em busca da aurora boreal

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No nosso terceiro dia de fato em Tromso, após um café da manhã mais simples numa padaria na Storgata, visitamos o museu Perspecktive. Pela descrição, achei que seria uma mostra com fotos de povos da região do norte da Noruega e tal, mas não exatamente. Tinha poucas fotos, e algumas salas dedicadas à escritora e pintora norueguesa Cora Sandel. Não curti tanto! Acho que se você tem pouco tempo por lá, nem vale a pena visitar.


Bom, saindo do museu pegamos um ônibus pra atravessar a ponte que liga a "Noruega" com Tromso, que fica numa ilha. Até dá pra atravessar a pé, mas grávida andando na neve e gelo, achamos melhor não. Por sorte não precisamos esperar muito pelo ônibus e em poucos minutos descemos do outro lado e caminhamos uns 15 minutos até onde você compra o ingresso para o bondinho Fjellheisen.





Tinha uma fila grandinha até, mas conseguimos embarcar na terceira leva. O ingresso pra subir e depois descer da montanha tem um custo de uns 40 euros por pessoa, mas compensa tanto, gente. A vista lá de cima é a coisa mais linda do mundo! A mais de 400 metros acima do nível do mar, você tem aquela imagem de Tromso, e na ocasião, toda branquinha de neve, com aquela "golden hour" de inverno maravilhosa. 


Tava muito muito frio, porque lá em cima venta, e tirar luva pra fotografar faz os dedos doerem. Mas mesmo assim, a gente aproveitou muito, e fiquei feliz em realizar esse sonho de estar num lugar tão lindo com uma paisagem tão linda. Sou fascinada pela neve!










Embora até tenha um café por ali, decidimos voltar pra Tromso pra procurar algo pra comer, e descemos até uma outra rua pra pegar o ônibus, que de novo, não demorou muito, mesmo sendo domingo! Nessa altura do campeonato já começava a escurecer, almoçamos num restaurante na Storgata e depois voltamos pro hotel pra descansar um pouco antes de sair pro passeio da aurora boreal.


Minhas expectativas eram altas, mas ao mesmo tempo, eu tinha muito medo de não conseguir ver a aurora. Chegamos no escritório da agência, e em poucos minutos eles já nos colocaram na van (estávamos em 4 casais, incluindo 2 amigas brasileiras!). O guia/fotógrafo explicou que dirigiríamos uma meia hora a 40 minutos pra chegar num local mais propício, de acordo com a previsão do dia, pra ver a aurora.


No caminho ele explicou que faríamos uma espécie de acampamento: ele montaria uma fogueira, jantaríamos uma sopa e comeríamos biscoitos, e esperaríamos até meia noite antes de voltar pra Tromso. Pra referência, eram apenas 6 e pouco da noite, então seria uma longa jornada. Ele também deu mais informações sobre a aurora boreal, e de como os guias não necessariamente não vão atrás dela em si, mas sim de céus sem nuvens - se você tem um céu sem nuvem e com estrelas, a chance da aurora aparecer é muito alta! Ele também disse que a olho nu não veríamos aquele verde neon, porque nosso olho não tem a capacidade de capturar a cor da aurora, e que com a lente de um bom celular/câmera você consegue ter uma visão melhor.


Chegamos no local, perto de uma baía. Ele estacionou a van e descemos até atrás de uma pedra enorme pra nos protegermos um pouco do vento. Tinha muita neve no chão, em alguns momentos eu pisava em falso e ficava atolada até o joelho! Enfim, chegamos numa mesa tipo essas de pique-nique no parque. O guia começou a tirar os equipamentos, montar a fogueira e tal. E em uns 30 minutos, começamos a ver umas nuvens no céu. Mas meus amigos, elas não eram nuvens. Já era a aurora boreal dando as caras!


Assim que apontamos a câmera do celular pro céu, já vimos o verde. É muito estranho. A olho nu, depois de um tempo, até vimos sim o verde, mas de fato, as fotos saem muito mais verdes, com a luz mais forte, do que com nossos meros olhos. Ficamos eufóricos, e já fomos sacando celular, câmera e tripé pra fotografar aquele momento, porque você nunca sabe quanto tempo vai durar o evento. O guia tinha dado a dica: 3 segundos de exposição, de preferência no tripé pra não tremer. Eu tenho um iphone 13 com dois anos de uso, enquanto o R tem um iphone 15 pro novinho, e a diferença das fotos era gritante!!!!









Fomos aproveitando, tirando foto, e o guia também tira fotos profissionais (que você pode comprar depois) caso queira. A dica pra fotografar uma pessoa é que você mantém a exposição de 3 segundos, mas quando a câmera vai fazer de fato o clique, joga uma luz pra iluminar o rosto da pessoa (até porque é muito escuro, estávamos no meio do nada só com a luz da fogueirinha lá). Nesse esquema nós mesmos conseguimos tirar foto um do outro de boa!





Toda essa coisa durou quase uma hora, e o guia falou que a aurora boreal forte e duradoura assim é coisa rara, que tivemos muita sorte. Eu tava tão feliz e realizada! Depois disso ele cozinhou a sopa (que vem num saco desidratada e com água quente cozinha), tomamos chocolate quente e comemos cookies. Já era em torno de 9 da noite, e o plano ainda era ficar por ali por mais horas esperando a aurora voltar.


Nessa hora me deu muita vontade de fazer xixi... afinal, grávida. O guia disse que podíamos nos afastar do grupo e procurar um canto, mas tinha poucas árvores, todas sem folha a alguns metros. Fomos andando, eu e R, e nos afastamos o suficiente do grupo. Mas agora a dúvida era: como fazer? Eu odeio fazer xixi agachada, já tive péssimas experiências do xixi escorrer pela perna, de ir na calça... e naquele frio de -12, com três calças, três blusas, casaco... e com a barriga, como que eu ia ver? Bom, só digo que nesse momento esqueci a humilhação daquela situação e o R me ajudou apontando a luz do celular pra me falar pra onde o xixi tava indo. Por sorte, deu tudo certo, mas tive que tirar o casaco pra não ficar tão Boneco Michellin... que pavor! Só digo uma coisa crianças: apesar do terror do momento, hoje tenho uma história pra contar do dia em que fiz xixi na neve, e você? hahaha


Voltamos ao grupo, e apesar da aurora boreal até ter voltado, não tava tão forte quanto antes... já tínhamos visto o auge dela. Uma das brasileiras nos perguntou se por nós, já podíamos ir embora. E graças ao universo, todo mundo já tava satisfeito e concordou em voltar mais cedo. Sendo assim, lá pelas 11pm já estávamos de volta à Tromso, quentinhos, felizes e agradecidos de termos conseguido presenciar esse fenômeno incrível da natureza!





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