A capital do Camboja e as tragédias daquele lugar

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O Camboja é um país que faz fronteira com a Tailândia, Laos e Vietnã e contém em torno de 15 milhões de habitantes. Sua língua oficial é o khmer e 97% da população é budista.


Assim como o Laos, o Camboja foi um protetorado da França entre 1887 e 1949, e nos anos 70 o país estava sob uma República Khmer, e é essencial falar disso porque os dois dias em que passamos na capital do país foram praticamente só pra aprender mais sobre o período.



Entre golpes de Estado, neutralidade durante a Guerra do vizinho Vietnã e desavenças políticas, em 1975 o líder Pol Pot mudou o nome do país pra Kampuchea Democrático e com o apoio e influência da China, transformou o país. Ele prezava pela agricultura e não interferência ocidental, e com isso destruíram escolas, templos, deixaram de usar a medicina ocidental, etc. Estima-se que entre um e dois milhões de pessoas (de 8 milhões) morreram executadas.



De um dia para o outro, eles evacuaram cidades e mandaram a população marchar para projetos rurais. Médicos, professores e advogados foram perseguidos pois eram vistos como ameaças. No tour que fizemos isso foi super frisado: as pessoas simplesmente foram expulsas de suas casas nas grandes cidades/capital, forçadas a abandonar tudo e marchar pro interior. Como o governo conseguiu tal feito me pergunto até hoje. Que situação desesperadora.


Esse foi o genocídio cambojano que deu origem ao termo Killing Fields - locais onde eles mataram e enterraram mais de um milhão de pessoas entre 1975 e 79. A maior parte das mortes foi causada por execução, mas também doenças e fome. Eles prendiam todo mundo que talvez pudesse ter alguma ligação com o antigo governo, além de perseguir certas minorias e etnias. 













Mandavam os prisioneiros cavarem suas próprias covas; para salvar balas, utilizavam outros meios para executá-los como veneno, faca e até bambu. Matavam também crianças e bebês, e não consigo nem descrever como o faziam porque é muito, muito pesado - porém é possível ler sobre aqui


Em Phnom Penh, nós fizemos essencialmente dois passeios: visitamos os Killing Fields e o Museu do Genocídio Tuol Sleng. Esse museu fica numa antiga escola que foi transformada em prisão/centro de tortura na época do regime.











Ambos os passeios são pesados, chocantes e assustadores, porém muito importantes pra entendermos um pouco da história recente do Camboja e o que governos autoritários podem fazer com uma população. O mais chocante pra mim foi perceber que até então eu nunca tinha ouvido falar disso, e me senti nadando num mar de ignorância profunda. Sai de lá me sentindo mais humilde, e respeito demais a história desse país.


É possível fazer outros passeios por lá também, visitar o palácio real e alguns templos, mas como já iríamos passar os próximos dias visitando templos em Angkor Wat e já tínhamos visto dezenas de templos em Myanmar, Tailândia e Laos, decidimos não fazer muito mais pela cidade. Como eu disse, fiquei chocada também com a sujeira, caos e bagunça da cidade e me dei conta que não tirei sequer uma foto das ruas, e hoje me arrependo. 


Ah, queria fazer uma menção ao hotel em que ficamos: pagamos 10 euros no quarto para o casal, e era um muquifo aquele lugar, gente. Sujo, um horror. Fiquei com medo e nojo de deitar naquela cama, mas fazer o quê? A gente tomou a decisão consciente de ir misturando as estadias, ficando em lugares melhorzinhos e outros mais baratos, então é isso, a gente que lutasse. Dá-lhe banho de chinelo e dormir com o cu na mão hahahaha. Pelo menos por ali tinha dois cafés/padarias super hipster com comidinha gostosa e deu pra esquecer um pouco da bagunça lá fora.

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