Viajamos pra África do Sul no início de Abril/26 e até agora eu não tinha conseguido sentar pra escrever a respeito. Na verdade, a rotina é tão massacrante sendo apenas dois pais que trabalham período integral e dividindo todos os cuidados com a criança que realmente me sobra pouca energia e vontade de escrever. Mas eu persisto!
A ideia de ir pra África do Sul surgiu meio de improviso. Queríamos fazer uma última viagem antes da P completar 2 anos em maio/26 (e passar a pagar passagem), mas os lugares pra onde temos mais interesse tem um fuso horário muito complicado pra alinhar com a rotina de uma criança pequena. Por mais que sejamos pais flexíveis com rotina, não dá pra encarar longas horas de voo, dias de jet lag e desconforto. Sendo assim, o sonho de Taiwan e México ficou pra daqui a uns anos, e numa brincadeira, R sugeriu que olhássemos no mapa onde o fuso horário não muda muito pra nós.
Foi assim que demos de cara com a África do Sul. Além de estar a apenas 2 horas de diferença da Irlanda (e na verdade, no horário de verão quando fomos, apenas 1h!), já era um destino que havíamos considerado como lua-de-mel uns anos atrás. O voo seria longo? Sim, de fato. Mas nada que não não tivéssemos feito com a pequena P à tiracolo, porque sinceramente acho que perdi as contas mas já foram mais de 20 voos certamente!
Pra completar o bingo, tenho uma amiga que mora em Pretória e seria uma ótima oportunidade dela conhecer a Pepê e passarmos um tempo juntas. Parece que as estrelas se alinharam, sabe?
Montei o roteiro com base na disponibilidade da minha amiga em Pretória mas também nas atividades que poderíamos fazer por lá. Eu já sabia que safari estaria meio fora de cogitação, então busquei alternativas que fossem agradáveis de se fazer com uma criança de quase (na época) dois anos. E assim chegamos no seguinte:
Sair de Dublin no fim do dia - conexão em Frankfurt - chegar na Cidade do Cabo no próximo dia de manhã
4 noites na Cidade do Cabo
Voo pra Johanesburgo de manhã, passar o dia e dormir lá
Dirigir até Pretória e ficar mais 4 noites
Sair de Johanesburgo no fim do dia - conexão em Frankfurt - chegar em Dublin no outro dia de manhã
Dada essa introdução toda, agora vou finalmente listar o porquê de achar esse um destino bem interessante pra quem tem criança pequena (além do motivo do fuso, que ajuda particularmente quem mora nessa faixa do mundo onde moro):
- Fácil locomoção por conta da infra estrutura e língua
- Similaridades com o Brasil
- Bichos
- Ótimo custo-benefício
- Interessante culturalmente mas familiar o suficiente
Fácil locomoção por conta da infra estrutura e língua
Meio redundante explicar essa, mas vamos lá: eu achei a infra estrutura desse país - pelo menos nos lugares onde passamos - muito boa pra turismo. Ótimas estradas, fácil sinalização, muitas opções de restaurantes perto dos pontos turísticos mas também em lugares mais afastados. Os lugares aceitam cartão, etc. A única coisa é que não encontrei muitos banheiros onde poderia trocar a fralda da criança mas aí fomos dando nosso jeito.
Já a questão da lingua é que embora a África do Sul tenha 12 línguas oficiais, o inglês é uma delas e por isso, é muito fácil ser turista lá. A comunicação flui bem e não tivemos nenhum problema em nenhum lugar.
Similaridades com o Brasil
Não somente porque a Cidade do Cabo é uma irmã ainda mais bela do Rio de Janeiro, mas eu fiquei chocada com a similaridade com o nosso Brasil. O comportamento das pessoas, o sorriso no rosto, os jeitinhos, mas também as coisas não tão positivas: a desigualdade social, a criminalidade... Acho que por ter lido bastante sobre esses problemas por lá, eu estive bem atenta o tempo todo com onde estacionávamos, celular na mão com cuidado na rua, etc. E sim, apesar de termos presenciado algumas coisas, não achei tão drástico como no Brasil, pelo menos nas grandes capitais. Tem perigos de cidade grande? Certamente, mas acho que a similaridade com o Brasil ajuda a amenizar o baque de estar em outro país sem conhecer bem seus códigos culturais.
Bichos
Que criança não gosta de bichos, não é mesmo? E a África do Sul é um prato cheio! Nós não fizemos nenhum safari em si, mas dirigimos em parques com animais soltos, vimos zebras, antílopes, pinguins na praia, fazenda de avestruz, santuário de elefantes, macacos... são muitas opções que as crianças curtem muito, e acho que crianças maiores ainda mais!
Ótimo custo-benefício
Pra quem mora numa cidade cara como Dublin, foi um susto ver os preços na África do Sul. Parecia que estávamos pagando com 50% de desconto em absolutamente tudo: gasolina, mercado, mas principalmente pra comer fora. As acomodações não foram caras, o aluguel de carro também não... a coisa mais cara da viagem foi certamente a passagem, já que é longe! No entanto, estando lá dá pra ver e fazer muita coisa por preços bem acessíveis que os preços europeus. E um spoiler: a Lufthansa cancelou um dos voos de volta, pedimos compensação e no fim, recebemos o dinheiro que pagou as passagens, que acabaram saindo praticamente de graça.
Interessante culturalmente mas familiar o suficiente
A África do Sul é um caldeirão de línguas e etnias e tem uma história muito interessante (e trágica, obviamente). A gente não conseguiu fazer tantos passeios culturais quanto gostaríamos, mas as opções existem. A questão é que embora você esteja num outro continente, pelos menos as cidades por onde passamos tem uma vibe muito moderna, americanizada e portanto, familiar pra nós. Não é como ir pro norte da África (já fomos pro Marrocos e Tunísia), por exemplo, onde o choque cultural é bem mais evidente. Por isso, acredito que seja um destino bacana pra famílias com criança porque é aquele diferente mas igual, aquela familiaridade da língua e lugares traz uma tranquilidade e preocupações a menos, principalmente pra quem não tem muita experiência em viajar com os pequenos.
Nos próximos posts vou contar mais sobre todos os passeios que fizemos na Cidade do Cabo, Joanesburgo e Pretória, inclusive com dicas específicas de restaurantes excelentes!
